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9 de junho de 2014

My Portugal, My country...

"Entrei uma noite num táxi e nesta cidade de chegadas e tantas partidas a pergunta obrigatória acabou por chegar: “De onde és?”. Portugal saiu-me da boca pela milésima vez ao longo destes últimos quatro meses. E com a palavra Portugal vi, através do retrovisor, nascer um sorriso no rosto do taxista. “Conheço uma portuguesa. Mariza”, disse vaidoso, nesse português de sotaque americano. Precisei de alguns segundos para perceber que quando ele dizia Mariza dizia Fado. Havia-a visto num concerto aqui em Washington há meses e desde então o Fado acompanhava-o. Tive, pois, de lhe perguntar se tinha percebido as letras. Foi então que não me olhou pelo retrovisor. Virou a cabeça na minha direcção e disse-me de sorriso aberto que não havia entendido nenhuma das palavras, mas que percebera todas as músicas através do que sentiu. 
Disseram-me antes de partir que deveria ser uma embaixadora de Portugal. Nós que deixamos o nosso país teríamos a obrigação de falar das nossas origens, de informar, de promover, de cativar. Não é uma obrigação, digo-lhes. É um prazer. Nós que partimos dizemos Portugal com orgulho, porque quando dizemos Portugal sentimos os cheiros, surgem-nos na retina as gentes, as paisagens, a comida, o mar. E portanto dizer Portugal é sentir, é estar lá não estando. Dizemos Portugal e as pessoas percebem que há algo de especial. Dizemos Portugal e dificilmente sabem onde é Portugal, como se vive em Portugal, o que tem de característico Portugal, mas quando sabem gosta-lhes a ideia de Portugal. Inesperadamente em alguns casos dizemos Portugal e do outro lado dizem-nos Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, falam-nos da ajuda militar prestada. São os taxistas (africanos), sempre os taxistas ou os viajados que lhe conhecem a narrativa. Por vezes não é preciso explicar onde fica no mapa. Reconhecem-nos a História e a nossa pequenez geográfica parece-nos de repente gigante.
A verdade é que talvez nunca consiga colocar no patamar verbal coisas que apenas se sentem. Portugal será sempre para nós saudade, essa palavra sem tradução tão difícil de explicar na língua estrangeira. Será o Fado, será a gastronomia, serão as montanhas, o mar, as gentes. Não nos tomo portanto como embaixadores. Tomo-nos simplesmente como portugueses, onde quer que estejamos, diferentes na essência, no contacto, na adaptação. 
Haveremos de amar os países onde estamos por nos dar o que Portugal talvez nunca nos ofereça, mas haveremos de ter sempre o coração no local onde partimos, porque o princípio da história e aquilo que nos transforma no prólogo da vida marca-nos a ferro e fogo o coração. E o coração pertence às paixões. A nossa, a dos que partiram, está a alguns, a muitos ou a milhares de quilómetros de distância. É Portugal, esse país à beira mar plantado, essa palavra que nunca se gastará na boca." 
Por Paula Alves Silva, in P3.Público


Não pude deixar de ler isto e ficar com o nó na barriga...

Se tudo é bom, lindo e maravilhoso em Portugal??? Pois claro que não, ou não estaríamos nós em "cascos de rolha", que é como quem diz na "terra das tulipas"... Lá, naquela que mais vezes é conhecida pelo Red Light e pelas Coffee Shops, onde chove a maior parte do tempo, onde no Inverno às 16:30 é de noite, onde o seguro de saúde é obrigatório, onde se paga para ir às casas de banho nas estações de serviço, onde faz um frio do caraças, onde as lojas fecham mais tardar às 18:00, onde não há bacalhau nem bifanas, nem minis e tremoços...

Credits clker.com
E podia estar aqui num sem fim de linhas a dizer o que não há... Mas depois vem o que há... Jardins e parques a perder de vista na cidade, parques infantis mais que muitos... resmas..., circuitos de manutenção, bicicletas (e juro que eu não gosto de bicicletas...), os canais, estradas que são estradas e não caminhos de cabras (como as que temos por cá...), uma excelente rede de transportes públicos, casas com aquecimento, as tulipas, os dias de Verão com luz para lá das 10 da noite, um sem fim de actividades culturais e espectáculos ao ar livre, o poder andar com o Sebastião na rua sem andar a stressar com os passeios (ou a falta deles...), cafés e restaurantes child friendly (e não, restaurantes que se limitam a terem um tocador merdoso nas casa de banho não contam, e os shoppings também não!)...

Mas ainda assim, depois de todo o bom, de tudo o que nos mantém lá, há Portugal, o nosso Portugal... E um dia havemos de voltar (eu pelo menos assim o vou sonhando)... Até lá vamos voltando, para a família e os amigos, entre moliceiros e rebelos, por entre o mar e a serra, para o leitão e a vitela assada, para os ovos moles e o pão de ló de Ovar, para os mirtilios de Sever e as laranjas do Algarve... E vamos voltado e voltando... quando mais não seja no Verão e se der pelo Natal, para o Sebastião não se esquecer da terra que o viu nascer e logo a seguir o viu partir!

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