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19 de novembro de 2008

Fósseis descobertos na Etiópia...

Um novo fóssil de um Homo erectus fêmea, um dos primeiros antepassados do Homem, mostra que a abertura pélvica, por onde os recém-nascidos saem, era muito maior do que se pensava. A descoberta prova que os recém-nascidos desta espécie tinham proporcionalmente uma cabeça maior, uma característica que está de acordo com o crescimento dos bebés de hoje.

O estudo foi publicado hoje na revista científica “Science”. Os autores encontraram fósseis dos ossos da bacia de um Homo erectus fêmea que viveu entre os 1,4 e 0,9 milhões de anos na zona de Gona, no Norte da Etiópia. Na altura, a região apresentava um clima semi-árido, com arbustos.

O Homo erectus foi o primeiro hominídeo a sair de África e a conquistar outros continentes. Sempre se pensou que a capacidade de andar e correr fosse uma forte condicionante evolutiva.

Um dos fósseis mais importantes que estabeleceu o modelo anatómico desta espécie foi de um indivíduo jovem, “Turkana Boy”, encontrado na zona do Quénia, em 1984. Apesar de ser um macho, devido ao esqueleto esguio e comprido extrapolou-se que a bacia das fêmeas desta espécie seria também estreita.

A partir daqui calculou-se que os recém-nascidos tivessem um cérebro pequeno, com um volume máximo de 230 mililitros (a forma como se mede o tamanho do cérebro), que depois do nascimento se desenvolveria rapidamente, um modelo mais aproximado ao dos primatas do que ao dos humanos.

Mas a nova descoberta obrigou o modelo a ser alterado. “Proporcionalmente, a bacia é maior do que a bacia dos humanos modernos”, disse Scott Simpson, citado pela BBC News. O paleontólogo é o primeiro autor do artigo, e trabalha na “Case Western Reserve University”, em Cleveland, no Ohio, Estados Unidos da América.

De acordo com as medições dos novos fósseis, um recém-nascido poderia nascer com um cérebro com o volume de 315 mililitros. Um aumento de 30 por cento relativo às anteriores estimativas. A partir do nascimento, o desenvolvimento cerebral do H. erectus seria um intermédio entre os chimpanzés e a espécie humana.

Os ossos pélvicos largos da fêmea mostram também que afinal havia uma diferença morfológica a nível dos sexos muito parecida com a existente hoje. O que evidencia que a evolução pressionou este aspecto - uma abertura pélvica grande para deixar passar um bebé com um cérebro maior.

De resto, ao contrário do modelo que prevê que em climas quentes como os da África, os seres humanos têm um torso mais estreito e sejam altos, e em zonas mais temperadas ou frias, têm um tronco mais largo e sejam baixos, esta fêmea era baixa para os padrões do H. erectus (media entre 1,20 e 1,46 metros) e era larga.

Os novos dados alteram a concepção que se tinha desta espécie, que foi descoberta pela primeira vez há cem anos, e mostram que há mais variáveis a ter em conta.


in Público, 14.11.2008 
21h42 Nicolau Ferreira

Descoberta sepultura do neolítico com o mais antigo núcleo familiar conhecido ...

A disposição das ossadas mostra o cuidado de quem sepultou a família com 4600 anos de idade. O filho mais velho de frente para o pai, o filho mais novo de frente para a mãe e os dois adultos flectidos, pernas a tocarem-se num contínuo, com a cabeça do homem em direcção a Oeste, a da mulher em direcção a Este, mas a face de ambos a olhar para Sul, como era tradição na Cultura da Cerâmica Cordada que existiu no Centro e Nordeste europeu durante o neolítico.

O “quadro” encontrado no sítio arqueológico de Eulau na região alemã da Saxónia-Anhalt é tão ilustrativo da ideia de família que Wolfgang Haak sentiu-se comovido quando viu pela primeira vez a sepultura. “Sentes uma certa simpatia por eles, é uma coisa humana”, disse, citado pela BBC News, o cientista do Australian Centre for Ancient DNA (Centro australiano para o DNA antigo).

Mas foi a confirmação genética do parentesco entre a família que tornou a descoberta publicada hoje na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”, tão excitante. “Ao estabelecer os elos genéticos (...) estabelecemos a presença do núcleo familiar num contexto pré-histórico na Europa Central - pelo que sabemos, a mais antiga prova dada pela genética molecular até agora”, disse Haak, um dos autores do artigo, citado pelo Science Daily”,

Foram encontradas quatro sepulturas e 13 corpos. Os adultos apresentavam vários ferimentos: uma mulher tinha uma ponta de pedra enterrada na vértebra e outra apresentava ferimentos no crânio. Segundo os cientistas, a comunidade sofreu um ataque violento de outro grupo e salvaram-se os jovens adultos, já que a maioria das ossadas pertenciam a crianças ou a mulheres com mais de 30 anos.

Os cientistas pensam que quem se salvou veio depois enterrar os mortos, pois conheciam de perto as relações dos indivíduos. “A disposição dos corpos espelha as relações que tinham em vida”, diz o artigo, que refere a importância dada ao parentesco já que, por exemplo, os filhos do casal estão virados para os pais e de costas para o Sul, indo contra os costumes da cultura.

Os cientistas compararam o ADN dos ossos entre os adultos e as crianças. Com o ADN mitocôndrial, que todas as pessoas herdam da mãe, e com o ADN do cromossoma masculino - o Y, provaram que os dois rapazes eram obrigatoriamente filhos do homem e da mulher da sepultura. “O que é extraordinário é a genética que torna a prova [de um núcleo familiar] incontornável”, disse ao PÚBLICO por telefone Mariana Diniz, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Através dos isótopos do estrôncio, um elemento que se vai acumulando nos dentes dos humanos ao longo do crescimento, os investigadores concluíram ainda que as mulheres, ao contrário dos homens, não eram originárias daquele local, já que tinham uma quantidade relativa do elemento que a alimentação da região não podia dar. Os investigadores defendem que as mulheres viajavam de longe, para se casarem com os homens, evitando a endogamia e promovendo as boas relações entre comunidades.


in Público, 18.11.2008
Nicolau Ferreira

18 de novembro de 2008

O Rato Mickey faz hoje 80 anos...

Tem o par de orelhas mais iconográfico da animação mundial, é o rato entre os ratos protagonistas do cinema e da banda desenhada. Mickey celebra oitenta anos hoje desde que apareceu em «Steamboat Willie», em 1928.

O mais famoso roedor do mundo completa hoje oito décadas de existência. Criado a partir de alguns ratos desenhados numa fotografia de Walt Disney, a história de Mickey Mouse está intimamente ligada ao crescimento e sucesso da empresa onde nasceu e da qual se tornou o seu maior e mais valioso símbolo.

Em 1928, Walt Disney estava numa situação difícil. Enquanto trabalhava para Charles Mintz, pediu um aumento do orçamento para a animação Oswald the Lucky Rabbit. Além de ver o pedido recusado, foi-lhe dito que iriam cortar o financiamento em 20 por cento, lembrando-lhe que quase toda a sua equipa tinha sido contratada por Mintz e que não detinha os direitos autorais da personagem. Disney recusou a proposta de Mintz e concordou em apenas terminar a primeira temporada da série.

Foi durante este período que Mickey viu a luz do dia. Ub Iwerks, um dos poucos que se manteve leal a Disney, desenhou a personagem, sem saber que estava a criar o pilar fundador sobre o qual o império Disney se haveria de erguer. Chamaram-lhe... Mortimer Mouse. Felizmente, a mulher de Disney convenceu-o a mudar o nome para o bem mais catchy Mickey Mouse.

Ub Iwerks foi, de facto, quem desenhou Mickey, mas foi Disney quem lhe deu uma personalidade e, até 1946, voz. Segundo reza a história, ter-se-ia inspirado num rato que teve como animal de estimação para criar o seu carácter.

John Hench, que pintou os retratos oficiais de Mickey para o seu 25º, 50º e 60º aniversário, vê na personagem uma projecção de Disney. “Mickey era, definitivamente, o alter-ego de Walt. Como Mickey, Walt era optimista - tinha muita fé em si próprio e, claro, Mickey também tinha muita fé em si próprio - enfrentava gigantes. Mickey parecia uma pessoa real.”

“A vida e aventuras do Rato Mickey têm estado ligadas à minha vida pessoal e profissional. É compreensível que eu tenha uma ligação sentimental com a pequena personagem que desempenhou um papel tão grande no rumo que as produções Disney e tem sido alegremente aceite como um amigo divertido, onde quer que os filmes sejam projectados por todo o mundo. Ele ainda fala por mim, e eu falo por ele”, chegou a afirmar Walt Disney.

Começo atribulado
O primeiro desenho animado de Mickey chamou-se Plane Crazy. A história era simples. Mickey quer tornar-se piloto de avião, constrói um e convida Minnie para dar uma volta. O resto podem ver aqui ao lado (vídeo).

No segundo filme, The Gallopin' Gaucho, surge pela primeira vez João Bafo-de-Onça, eterno inimigo de Mickey e que o iria acompanhar toda a sua vida. Contudo, apesar da aposta que fez, Disney não conseguiu encontrar um distribuidor disposto a apostar num rato como figura animada para nenhum dos filmes.

Este interesse reduzido viria a conhecer uma reviravolta com o terceiro filme, Steambot Willie, lançado a 18 de Novembro de 1928, que ficou marcada como a data de aniversário de Mickey. Apesar de não ter sido o primeiro desenho animado com banda sonora, foi o primeiro a ter o som sincronizado com a acção do filme. A utilização que fez do som foi um dos trunfos para o seu sucesso e levou Disney a fazer o mesmo para os dois filmes anteriores. Este foi o salto decisivo para Mickey Mouse que, progressivamente, se foi tornando numa figura mundialmente conhecida.

A 16 de Fevereiro de 1931, a revista Time dizia: “Grande amante, estudioso, soldado, marinheiro, cantor, toureiro, maquinista, jóquei, pugilista, piloto de carros, aviador, agricultor. O Rato Mickey vive num mundo em que espaço, tempo e as leis da física são nulas. Ele consegue entrar dentro da boca de um touro, arrancar os seus dentes e usá-los como castanholas. Ele consegue liderar uma banda ou tocar solos de violino; a sua ingenuidade não tem limites; ele nunca falha.”

Máquina de fazer dinheiro
Foi em 1929, com The Karnaval Kid, que Mickey pronunciou as suas primeiras palavras pela boca de Disney - “Hot dogs, hot dogs!” e, nesse mesmo ano, ganharia as suas luvas, em The Opry House. Só dez anos mais tarde voltariam a observar-se mais alterações à fisionomia de Mickey, quando passou a ter pupilas nos olhos e o corpo em forma de pêra. As orelhas, essas, tornaram-se na sinédoque máxima, não só de Mickey, mas da empresa Disney.

Mickey Mouse passou a aparecer em todo o lado: desde pulseiras de diamantes a pequenos brinquedos de um dólar. Só em 1933, foram vendidos 900.000 relógios e dez milhões de gelados do Mickey e, em 1934, a Disney já ganhava mais de 600.000 dólares por ano em lucros provenientes de filmes e merchandise.

Descrito muitas vezes como uma mistura jovem de Fred Astaire com Charlie Chaplin, Mickey sobreviveu à passagem do tempo devido ao trabalho de Walt Disney que, apesar de viver do fantástico, tinha os pés bem assentes na terra. “Sentimos que o público, especialmente as crianças, gostam de animais que são engraçados e pequenos. Acho que temos uma dívida para com Charlie Chaplin pela ideia. Queríamos algo apelativo, e pensámos num pequeníssimo rato que teria algo do “querer” de Chaplin – um pequeno amigo a tentar fazer o melhor que consegue. Quando as pessoas se riem do Rato Mickey é porque ele é tão humano; e esse é o segredo da sua popularidade. Só espero que não percamos de vista uma coisa – que tudo começou com um rato.”

11 de novembro de 2008

São Martinho...

Martinho era um valente soldado romano que estava a regressar da Itália para a sua terra, algures em França.
Montado no seu cavalo estava a passar num caminho para atravessar uma serra muito alta, chamada Alpes, e, lá no alto, fazia muito, muito frio, vento e mau tempo.
Martinho estava agasalhado normalmente para a época: tinha uma capa vermelha, que os soldados romanos normalmente usavam.
De repente, aparece-lhe um homem muito pobre, vestido de roupas já velhas e rotas, cheio de frio que lhe pediu esmola.
Infelizmente, Martinho não tinha nada para lhe dar. Então, pegou na espada, levantou-a e deu um golpe na sua capa. Cortou-a ao meio e deu metade ao pobre.
Nesse momento, de repente, as nuvens e o mau tempo desapareceram. Parecia que era Verão! Foi como uma recompensa de Deus a Martinho por ele ter sido bom.
É por isso que todos os anos, nesta altura do ano, mesmo sendo Outono, durante cerca de três dias o tempo fica melhor e mais quente: é o Verão de São Martinho.

27 de outubro de 2008

VI Encontro de Arqueologia do Algarve, o rescaldo...

De Faro a Silves, não posso deixar de dizer que foi uma semana em grande...
Em primeiro lugar muito obrigada a Vera Lúcia, pelo alojamento de luxo e, claro, pela amável companhia do Trazan. Muitos muitos parabéns senhor Mestre Leandro Infantini!!!
Já em Silves, muito obrigada à Vera Inês, também pelo alojamento igualmente de luxo. A ver se da próxima vez estamos mais tempo juntas para por a conversa em dia. Claro, um beijinho grande para as minhas ex-colegas do Gabinete de Arqueologia, Consevação e Restauro da Câmara Municipal de Silves. Enfim... a todos os amigos que apesar de estarem longe me fazem sentir mais perto.
E assim lá passou o VI Encontro de Arqueologia do Algarve, onde mais que um encontro é uma reencontro de amigos...

A todos eles o meu muito obrigada!


23 de outubro de 2008

Descoberto fóssil na China...

O Epidexipteryx era um dinossauro com penas mas não voava, elas serviam só de ornamento

As rochas da China revelaram mais um enigma do Jurássico, pronto para entrar na lista dos cinco dinossauros mais estranhos do imaginário das crianças (e dos adultos). O Epidexipteryx hui não era maior do que um pombo, tinha penas, era carnívoro, mas provavelmente não conseguia voar. A descoberta foi publicada hoje na revista científica "Nature", por um grupo de investigadores da Academia de Ciências da China.

Os fósseis do Epidexipteryx (o que tem penas de exibição, em grego) foram encontrados em Ningcheng, no norte da China. Os fósseis são do Jurássico médio e tardio. Estima-se que o predador tenha vivido entre há 168 e 152 milhões de anos, um pouco antes da famosa Archaeopteryx, a primeira ave, com um aspecto próximo do dos dinossauros.

O Epidexipteryx era um carnívoro bípede (um terópode) pequeno, com o corpo coberto de penas que não eram apropriadas para voar. A sua característica mais distinta são as quatro longas penas, que saiam da cauda e ficaram bem preservadas.

Os investigadores julgam que estas penas são ornamentais e que cumprem uma função importante para a reprodução. Há muitas espécies de aves com penas grandes e de cores exóticas, que são importantes para o ritual de acasalamento. O mesmo poderia acontecer com o Epidexipteryx.

O novo dinossauro deveria pesar menos que 200 gramas. O esqueleto tinha várias características parecidas com os das aves e os paleontólogos colocaram a espécie ao lado das primeiras linhas evolutivas dos dinossauros voadores.

“O Epidexipteryx é o mais antigo dinossauro terópode conhecido que tem penas ornamentais”, diz o artigo na "Nature". Mas esta plumagem sem funções para o voo leva os autores do artigo a conjecturar que, evolutivamente, as penas apareceram primeiro para funções de comportamento e só depois foram utilizadas para voar.

A única alternativa será se os antepassados desta espécie tiverem “desaprendido” de voar, como aconteceu com a galinha e a avestruz. Seja qual for o caso, é obrigatório que este dinossauro apareça na próxima sequela do filme "Jurassic Park".
Público
22.10.2008 - 18h26 Nicolau Ferreira

Os Estrumpfes “estrumpfam” 50 anos...

É difícil haver que não tenha já ouvido falar dos Estrumpfes e tenha, se não a colecção completa, pelo menos um dos famosos gnomos azuis. Também conhecidos como Schtroumpfs, no francês original, “Smurfs”, em inglês, “Pitufos” em espanhol ou, simplesmente, “Puffi” em italiano, os Estrumpfes celebram, ou “estrumpfam”, hoje 50 anos. Nasceram do traço do desenhador belga Peyo na revista "Spirou", em 1958.

O início do sucesso surgiu na mente de Peyo durante um almoço, cenário propício para as grandes ideias, durante as férias na casa de amigos. Para pedir que lhe passassem o sal no fundo da mesa, Peyo não se lembrava da palavra e saiu-lhe qualquer coisa como: “por favor, passa-me o...o...o estrumpfe aí ao fundo”. Franquin, amigo, colega de profissão e criador de personagens como Marsupilami, responde-lhe no meio de uma gargalhada: “Toma, eu estrumpfo-te”. Estava assim criada a língua dos “Estrumpfes”. As personagens viriam a seguir.

Leonardo Sá, investigador e historiador de Banda Desenhada explica que um dos truques do sucesso dos pequenos duendes azuis é esta fala particular "juntando ‘estrumpfe’ no final de todas as frases e substituir qualquer substantivo ou verbo por ‘estrumpfar’”. De facto, as frases tornam-se mais cómicas e fazem as delícias de quem ouve. Apesar de poderem gerar dúvidas, “percebe-se bem qual a intenção do que querem dizer”.

O facto de serem de cor azul tem uma explicação de estilo simples: não podia ser outra. Inicialmente Peyo e a mulher pensaram em verde, mas iriam confundir-se com o verde da vegetação. Vermelho seria muito forte, pelo que decidiram optar pelo azul.

Os Estrumpfes não escaparam à polémica nem foram consensuais. Entre os que adoram há também os que detestam. Especulou-se sobre a barba e boné vermelho do “patriarca” dos Estrumpfes como alusão ao marxismo, falou-se de ideologias políticas, que eram anti-semita, ou pertenciam ao Klu Klux Klan, mas a família de Peyo esclarece que nada disso era intenção de seu criador. O filho garante que o único objectivo do pai era promover “o amor e a amizade”.

O “estrumpfo” dos Estrumpfes
Os Estrumpfes têm personalidades muito fortes, andam sempre de gorro (que não tiram nem para dormir ou tomar banho) e calças brancas. São vegetarianos e habitam uma floresta distante, longe do perigo dos humanos. Vivem em comunhão pacífica com a natureza, numa vila feita de cabanas em forma de cogumelos. Não existe dinheiro, trabalham de graça e a sua única preocupação (que mesmo assim não lhes tira o sono) é o vilão, o feiticeiro Gasganete que insiste em tentar capturar um deles sempre sem sucesso. A descrição à primeira vista pode não parecer muito emocionante, mas a verdade é que estes pequenos duendes levaram o seu criador “quase à loucura” com o sucesso que atingiram. Peyo brincava que os Estrumpfes o absorviam e não deixavam nenhuma outra criação que fosse feita por ele também triunfasse.

Do Grande Estrumpfe, o chefe da aldeia, o mais respeitado com os seus 524 anos, ao Estrumpfes cozinheiro, vaidoso, o ganancioso, o guloso ou pintor, todos têm uma característica que os distingue. São cem habitantes na vila e todos têm cem anos de idade. A Estrumpfina é a única representante do género feminino, e o único bebe é...o Bébe Estrumpfe.

Para Leonardo Sá, a BD criada por Peyo deve ainda parte do sucesso às personagens agradáveis e apelativas criadas a pensar nos leitores mais novos. “São desenrascados, até algo ‘patetas’, mas dão sempre a volta ao problema, apesar das vicissitudes. E como são pequenos, e a priori mais vulneráveis, escapam facilmente a todos os perigos e da floresta.”

Em Portugal, segundo o historiador, a União Gráfica foi a primeira a publicar uma série de “Os Schttrumpfs”, em 1967 com dois álbuns: “Os Schttrumpfs Negros” e “O ovo e os Schttrumpfs”. A partir de 1980 com a editorial Publica foram editados doze álbuns das “Aventuras dos Estrumpfes”.

Mais episódios e longa-metragem dos Estrumpfes para breve
Também nos anos 80, graças à produtora americana Hanna Barbera contratada pelos estúdios da NBC, passaram para a televisão. A neta de um dos proprietários “apaixonou-se” pelos “Smurfs” e os pequenos duendes começaram a aparecer no pequeno ecrã. Em meados dos anos 80 chegaram a Portugal, onde passaram na RTP.

Os 227 episódios foram produzidos pelo próprio Peyo durante oito anos. Vinte anos depois ainda são difundidos nas televisões por todo o mundo. Em 2005 a série voltou a passar na televisão portuguesa e agora esperam-se os novos episódios que apesar de Peyo ter morrido há 16 anos, são agora produzidos pelo filho e restante equipa que mantém a criatividade e bom humor característicos da série. Uma longa-metragem dedicada aos “Estrumpfes” vai sair ainda este ano.

As comemorações do meio século “de vida” dos Estrumpfes começaram em Janeiro. A mais original será a digressão em países europeus de vários duendes “do tamanho de três maças”. A capital escolhida pela iniciativa acorda um dia de manhã com centenas de pequenos Estrumpfes brancos espalhados pela cidade a fazerem filas nos autocarros, nos correios ou a irem para o metro. Quem quiser pode pegar e ficar com um e pintá lo de acordo como a sua criatividade. O objectivo é espalhar a boa disposição e fazer sorrir toda a gente. Os mais originais “estrumpfam” um prémio. Também hoje será leiloado um Estrumpfe gigante pintado por uma celebridade. O lucro reverte na totalidade para a UNICEF. Entretanto, podem-se também “estrumpfar” os parabéns aos Estrumpfes, porque afinal meio século só se “estrumpfam” uma vez.

Público 23.10.2008 - 14h59 Ana Margarida Pereira

RIBAT DA ARRIFANA: CÂMARA MUNICIPAL DE SILVES APRESENTA EXPOSIÇÃO SOBRE SITIO ARQUEOLÓGICO

A Câmara Municipal de Silves inaugura no próximo dia 24 de Outubro, pelas 18h00, a exposição temporária “Ribat da Arrifana Cultura Material e Espiritualidade”.
A mostra estará patente ao público até ao dia 31 de Janeiro no Museu Municipal de Arqueologia e apresenta os resultados de trabalhos arqueológicos levados a cabo sob a responsabilidade cientifica de Rosa e Mário Varela Gomes na Ponta da Atalaia, em Aljezur, com o apoio da Câmara Municipal dessa localidade e da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur. Estes trabalhos colocaram a descoberto um conjunto importante de estruturas e espólio pertencente ao Ribat da Arrifana, um convento-fortaleza que teria sido mandado construir pelo mestre Sufi Ibn Qasi.

6º ENCONTRO DE ARQUEOLOGIA DO ALGARVE

A Câmara Municipal de Silves, em conjunto com o IGESPAR, a Universidade do Algarve e o Campo Arqueológico de Mértola, promove o 6º Encontro de Arqueologia do Algarve - O Gharb no al-Andalus. O encontro decorre nos próximos dias 23, 24 e 25 de Outubro de 2008, em Silves (na FISSUL). José Luís de Matos, Pioneiro da Arqueologia Medieval Islâmica no Algarve, será a figura homenageada nesta edição.

Juan Zozaya, Guillermo Rosselló-Bordoy, Maria de Jesus Viguera, Manuela Marín, Christine Mazzoli-Guintard, Christophe Picard ou Pierre Guichard, referencias mundiais da arqueologia, bem como Cláudio Torres (responsável pelo Campo Arqueológico de Mértola), entre muitos outros participantes, discutirão temas que permitirão uma melhor compreensão da importãncia do O Gharb no al-Andalus. Para Silves, esta temática é da maior importancia, dada a conhecida relação histórica desta cidade com este período importante de presença muçulmana na Península Ibérica.

Ficha de Inscriçao
Programa

22 de setembro de 2008

Outono...

Estação do ano que começa entre 22 e 23 de Setembro, no hemisfério norte, quando o Sol atinge o ponto equinocial de Setembro, e acaba 89 dias e 19 horas depois, quando o Sol atinge o ponto solsticial de Dezembro, na sua máxima declinação meridional. Nesta estação os dias vão diminuindo e permanecem menores que as noites.
Quando é Outono no hemisfério norte, é Primavera no hemisfério sul.No hemisfério sul o Outono começa no equinócio de Março.

18 de setembro de 2008

Jornadas de História Local: Património Documental

As inscrições para as “Jornadas de História Local: Património Documental” que se realizará no dia 26 de Setembro, das 9.30 às 16.30 horas, no edifício da Antiga Capitania, encontram-se abertas na Biblioteca Municipal de Aveiro.
Gratuitas, as inscrições devem ser feitas na Biblioteca Municipal de Aveiro. Para mais informações, os interessados poderão contactar a Divisão de Bibliotecas e Arquivo – Arquivo Histórico, sita na Biblioteca Municipal de Aveiro (Largo Dr. Magalhães Lima, 3800-156 Aveiro), ou através do telefone número 234 400 320 (extensão 2828 – Carla Serôdio), fax 234 400 345, ou do endereço electrónico cserodio@cm-aveiro.pt.
Organizadas pela Câmara Municipal de Aveiro com o apoio da ADERAV – Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro, as “Jornadas de História Local: Património Documental” aborda duas temáticas: a primeira subordinada a aspectos da história local e regional, e a segunda dedicada à gestão do património documental que este ano centrará a sua atenção no Livro Antigo (edições anteriores a 1800) e, consequente evolução tipográfica.
Esta acção destina-se ao público em geral, e mais concretamente, a professores, estudantes e profissionais na área da documentação. Durante as jornadas vários especialistas nas áreas da História Local, Livro Antigo, tipografia / caligrafia e conservação e restauro de documentos darão o seu contributo.

Aveiro no site “Réseau Art Nouveau Network”...

Já se encontram disponíveis no website da “Réseau Art Nouveau Network” - http://www.artnouveau-net.eu/ - informações sobre o Património Arte Nova Aveirense, o que reveste de grande importância para a cidade pois o site é visitado, mensalmente, por cerca de 80 000 pessoas.
Além deste facto, o website dá acesso a várias ferramentas para a aprendizagem do movimento Arte Nova (de material lúdico didáctico para o público juvenil, a actas de conferências e listagens de trabalhos de doutoramento sobre Arte Nova para o público especialista). Os conteúdos do website serão, progressivamente, traduzidos para português.
Importa ainda referir que o município de Aveiro encontra-se a preparar uma candidatura ao programa europeu Culture 2007-2013 com os restantes membros da Rede. O projecto denominado “Art Nouveau & Nature” visa estudar a relação entre a Arte Nova e a Natureza, materializando-se no desenvolvimento de uma exposição itinerante entre todas as cidades parceiras, publicações e conferências especializadas, bem como novos materiais lúdicos e didácticos destinados ao público escolar.
Recordamos que na sequência da aposta do município na promoção do seu património Arte Nova, através da Estratégia Integrada de Salvaguarda e Promoção da Arte Nova em Aveiro, compreendendo o projecto museológico do Museu Arte Nova, a Bolsa de Salvaguarda Arte Nova e o estabelecimento de parcerias nacionais e internacionais, Aveiro aderiu à Réseau Art Nouveau Network.
Esta rede de cidade é constituída por 19 cidades – Älesund, Bad Nauheim, Barcelona, Bruxelas, Budapeste, Glasgow, Helsínquia, La Chaux-de-Fonds, Habana, Ljubljana, Lodz, Nancy, Província de Varese, Região da Lombardia, Réus, Riga, Tbilisi, Terrassa, Viena. Entre as suas principais actividades conta-se a realização de colóquios e exposições, a edição de material didáctico sobre o movimento Arte Nova, a formação dos técnicos que trabalham directamente com a temática Arte Nova em autarquias e museus, a investigação sobre o movimento. Salienta-se ainda que, com a adesão, Aveiro pretende captar fundos europeus para a cidade, a investir na salvaguarda e promoção cultural da corrente Arte Nova local, já que esta rede de cidades elabora candidaturas concertadas a programas de financiamento europeus.

Interpretar a Ruína...

Este Seminário tem como objectivo principal debater sobre o modo de articulação entre a arquitectura e a arqueologia, enquanto áreas disciplinares autónomas, bem como reflectir sobre o contributo das referidas disciplinas.

Fragmento de uma arquitectura do passado, a ruína denuncia, simultaneamente, uma presença e uma ausência. A sua exigência de inteligibilidade é, antes de mais, um convite à reconstrução. Arquitectos e arqueólogos percepcionam as ruínas de diferentes modos; tal como os pintores, os historiadores, ou os poetas.

Procura-se reunir um conjunto de arquitectos e arqueólogos, com experiência de investigação em conjuntos arqueológicos, no que diz respeito à interpretação de estruturas, com o objectivo de trocar experiências e debater conceitos e métodos.

As sessões de apresentação dos casos de estudo seleccionados, serão intercaladas por períodos de debate e por um conjunto de comunicações que tratam a temática da relação entre as áreas disciplinares referidas, nomeadamente a forma como o desenho, enquanto método de análise, contribui para o avanço do conhecimento, no que diz respeito à interpretação dos vestígios arqueológicos.


Mais informações em http://interpretar-a-ruina.arq.up.pt

Regata Grandes Veleiros - Ílhavo...


Regata dos Grandes Veleiros
Terminal Norte do Porto de Aveiro
Jardim Oudinot/Forte da Barra, Gafanha da Nazaré
20 a 23 de Setembro


20 Sábado
14h00 Cerimónia de Abertura - (Terminal Norte do Porto de Aveiro)
14h30 Visitas aos Navios
16h00 Corrida Mais Louca da Ria 2008
20h00 Animação no Jardim Oudinot

21 Domingo
T/dia Demonstração de Nautimodelismo
10h00 Visitas aos Navios
14h30 Procissão na Ria em Honra da Nossa Srª dos Navegantes
16h30 Missa
17h30 Parada e Entrega de Prémios da Regata
18h30 Festival de Folclore
20h00 Animação do Jardim Oudinot
00h00 Espectáculo de Fogo de Artifício

22 Segunda-feira
10h00 Visitas aos Navios
20h00 Animação do Jardim Oudinot

23 Terça-feira
09h00 Encerramento da Regata e Parada Naval

15 de setembro de 2008

Rumo a Madrid...

No século IX, durante a ocupação por parte dos Árabes, o Rei Mohammed I mandou construir uma fortaleza junto ao Rio Al-Magrit, (em árabe, المجريط, "fonte de água"), actualmente Rio Manzanares, a partir de onde podia avistar toda a cidade. Em 1085, a cidade foi reconquistada por Alfonso VI e a fortaleza tornou-se no Palácio Real. Inicialmente, os Árabes e os Judeus foram bem tolerados, embora as suas posses tenham sido confiscadas.
Em 1492, os Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, acabaram a Reconquista, com a expulsão dos últimos Mouros, da cidade de Granada. Posteriormente, em 1561, o país foi reunificado pelo Rei Carlos I. O seu filho, Felipe II, transferiu a Corte Real de Valladolid para Madrid, e desde essa época até aos nossos dias, tem sido a capital de Espanha.


A pretexto das I Jornadas de Jóvenes en Investigación Arqueológica: Dialogando con la Cultura Material em MAdrid, o pessoal reuniu-se e rumou à aventura nesta cidade...

10 de setembro de 2008

Recriar os primeiros segundos do universo...

Cinco anos depois, o acelerador de partículas mais potente do mundo, o 'LHC', começa hoje a funcionar. Um projecto faraónico em que trabalharão nove mil cientistas e que procura simular os primeiros milésimos de segundo do universo
Revelações "vão mudar a nossa visão do universo"
Hoje, depois de três décadas de trabalhos e estudos, o maior acelerador de partículas alguma vez criado pelo homem vai permitir recriar os primeiros momentos do universo, podendo mudar todos os conceitos que temos acerca da criação do mundo.
O Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), na Suíça, que desenvolveu este projecto gigantesco com um custo total da ordem dos oito mil milhões de euros, espera que o Large Hadron Collider (LHC), assim se chama o acelerador, responda às grandes questões que há dezenas de anos movimentam o mundo da física das partículas.
O funcionamento do LHC permitirá chegar a descobertas que "mudarão profundamente a nossa visão do universo, particularmente a sua Criação", afirma o director do CERN, Robert Ay- mar. O grande projecto, que o CERN garante ser seguro, permite recriar as condições que prevaleceram no universo nos milésimos de segundo que se seguiram imediatamente ao Big Bang, processo em que serão geradas temperaturas 100 mil vezes mais elevadas que as do centro do sol.
Encontrar o instável 'bosão de Higgs', a chamada partícula de Deus, porque muitos investigadores a estudaram mas ninguém a viu, é outro dos objectivos. Neste caso, o CERN está a tentar chegar ao Higgs antes dos norte-americanos do Fermilab, um laboratório de Chicago.
O LHC pretende, ainda, explorar a superssimetria, conceito que permite explicar uma das descobertas mais estranhas dos últimos anos, a de que a matéria visível só representa 4% do universo. A matéria negra e a energia negra (73%) partilham o resto. Por fim, permitirá estudar o mistério da matéria e da antimatéria. Quando a energia se transforma em matéria produz, aos pares, uma partícula e o seu reflexo, uma antipartícula de carga eléctrica oposta. Conhecido este procedimento, a lógica seria a de que a matéria e a anti-matéria existissem no universo em quantidades iguais - o mistério é que, na realidade, a antimatéria é rara.
10.09.08
LUSA

Descoberto Buda gigante com 19 metros no Afeganistão...

Arqueólogos afegãos descobriram uma estátua de Buda com cerca de 19 metros, bem como 89 relíquias históricas no centro do Afeganistão, segundo a Reuters. A descoberta foi feita perto da província de Bamiyan, onde as ruínas de estátuas gigantes de Buda foram destruídas pelos talibãs em 2001.
A equipa de arqueólogos liderada por Zameryalai Tarzi procurava um Buda deitado, com 300 metros, que há séculos atrás, e de acordo com o relato de um peregrino chinês, está enterrado em Bamyan, quando deu pela descoberta.
No total são 89 relíquias, moedas, cerâmica e a estátua de 19 metros foram desenterrados”, disse à Reuters Mohammad Zia Afshar, conselheiro do Ministério da Informação e da Cultura.
O Buda encontrado data do séc. III, estava em mau estado, mas a mão direita e o pescoço estão em bom estado. As restantes peças datam do reino grego de Báctria e da era islâmica, explicou Afshar.
Segundo a BBC Online, estão a ser tomadas medidas de segurança para proteger a recente descoberta, e espera-se que para o próximo ano possa ser mostrada em público.
Os talibãs destruíram há sete anos as maiores estátuas de Buda que existiam no mundo. As estátuas representavam Buda de pé e mediam entre 55 e 38 metros. Os talibãs são contra representações humanas de divindades, pelo que já destruíram inúmeras obras de arte, incluindo pinturas.
As esculturas de Buda estavam esculpidas na montanha de Bamiyan, um centro nevrálgico da cultura budista. Investigadores europeus descobriram ainda no ano passado nas cavernas de Bamiyan pinturas a óleo que datam entre o séc. V e IX. As pinturas são as mais antigas no mundo e retratam monges budistas com criaturas míticas.
09.09.2008 - 14h12
PÚBLICO

Aldeia histórica de Marialva regista recorde de visitantes...

A aldeia histórica de Marialva e o seu castelo amuralhado, no concelho da Mêda, registaram no mês de Agosto o número recorde de seis mil visitantes.
Dos seis mil visitantes, aproximadamente 10 por cento foram turistas espanhóis e franceses, registados no posto de turismo de Marialva, anteriormente da responsabilidade do ex-IPPAR, agora afecto à Câmara Municipal da Mêda.
Anteriormente a afluência não era divulgada, "impedindo-se assim uma real visão" da dimensão do volume de visitantes, revela a autarquia de Mêda em comunicado à imprensa.
João Mourato, presidente da Câmara Municipal de Mêda, sublinha que o esforço desenvolvido pela autarquia "tem assim recebido resposta e 'feed back' face à persistência em transformar os recursos do concelho em factores de desenvolvimento".
A Câmara Municipal procedeu à formação de guias que explicam as visitas ao castelo de Marialva, bem como material para venda, como "faianças, pequenas recordações, folhetos e livros sobre Marialva".
Prevista para breve está a realização de uma exposição sobre o tema "Marialva Vista Pelos Artistas" que ficará patente ao público no posto de turismo como "forma de dinamizar também a actividade criativa".
Outro dos objectivos do município é a elaboração de um roteiro actualizado com informações sobre o castelo de Marialva, a sua história, e informações úteis ao visitante, afirma a autarquia.
Povoada desde tempos remotos, Marialva foi no passado a "Civitas Aravorum" (Cidade dos Aravos), no período romano, e reconstruída na época dos imperadores Adriano e Trajano.
Recebeu foral em 1179 por D. Afonso Henriques e, tendo passado de novo para a soberania sarracena, foi reconquistada por D. Sanho I em 1200.
Marialva teve a sua feira criada em 1286 por D. Dinis e Foral Novo de D. Manuel em 1512, altura em que foi transformada numa das mais fortes praças militares e fortificações do reino de Portugal.
Foi antiga sede de concelho, extinto em 1855, quando passou para a área de Vila Nova de Foz Côa na reforma administrativa liberal, e em 1872 passou a integrar o concelho de Mêda.
08.09.2008 - 12h24
Lusa

Estudo prevê desaparecimento total dos glaciares dos Pirenéus antes de 2050...

Os 21 glaciares que ainda existem nos Pirenéus terão todos desaparecido antes de 2050, antecipa um estudo de investigadores espanhóis da Universidade de Cantábria, da Universidade Autónoma de Madrid e de Valladolid.
A subida progressiva da temperatura – um total de 0,9 graus Célsius de 1890 à actualidade – confirma que os glaciares nos Pirenéus terão desaparecido antes de 2050”, explica o trabalho publicado na revista “The Holocene”.
Os investigadores analisaram o estado actual dos glaciares nos Pirenéus, Picos da Europa e Serra Nevada e observaram a evolução climática desde a Pequena Idade do Gelo (de 1300 a 1860) até ao período actual, explicava ontem o “El Mundo” online.
A investigação conclui que a rapidez com que se deu o degelo ocasionou o desaparecimento de todos os glaciares pequenos e entre 50 a 60 por cento da superfície dos maiores. Entre 1880 e 1980 desapareceram 94 glaciares ibéricos e desde os anos 80 até agora outros 17 também deixaram de existir.
Juan José González Trueba, coordenador do estudo, alerta que “as altas montanhas são zonas especialmente sensíveis às alterações climáticas e ambientais. A evolução dos glaciares é um dos indicadores mais eficientes que mostra o sobre-aquecimento global que estamos a viver”.
05.09.2008 - 12h55
PÚBLICO

1 de setembro de 2008

O maior sítio arqueológico do Paleolítico Superior em Portugal...

Equipa escava no maior sítio do Paleolítico Superior em Portugal. Alimentavam-se de marisco, faziam gravuras em pedra e adornos com pequenas conchas, há vinte mil anos. Hoje, arqueólogos tentam desvendar os segredos escondidos em Vale Boi, Algarve, o maior sítio arqueológico do Paleolítico Superior em Portugal.


Perdido numa zona escarpada, entre Lagos e Vila do Bispo, paredes-meias com uma pacata aldeia que não tem mais do que cinquenta habitantes, o sítio arqueológico parece passar despercebido à maioria.
Descoberto há dez anos por uma equipa integrada por Nuno Bicho, da Universidade do Algarve, o local tem sido objecto de campanhas arqueológicas desde então, que visam reconstituir o sítio tal como era há vinte mil anos.
Nessa altura, o arqueólogo, que até ao início de Agosto vai estar a coordenar uma equipa que se encontra a fazer escavações no local, não imaginava que iria dedicar a década seguinte a estudar Vale de Boi.
Com ocupações regulares entre 25 mil e 6 mil anos atrás, o sítio era composto por um abrigo rochoso, perto do qual se supõe que existisse uma lagoa de ligação ao mar, onde os animais iam beber água.
Do abrigo, num ponto mais alto, conseguia ver-se facilmente as manadas, facilitando a caça, o que, a par do acesso facilitado à água pode explicar por que o local foi sendo sucessivamente ocupado.As comunidades que ali habitavam alimentavam-se de marisco - lapa, berbigão, amêijoa e mexilhão -, uma dieta pouco frequente neste período da História e que está relacionada com a proximidade do mar, a dois quilómetros.
Contudo, caçavam também animais como o veado, cavalo, auroque (boi gigante já extinto) e cabra montês, tendo igualmente sido encontrados no local vestígios de lince, urso e lobo, que poderiam não servir de alimento.
Ao longo de dez anos foram encontrados em Vale de Boi milhares de vestígios, sobretudo material em pedra talhada, parte do qual seriam pontas de flecha, mas há uma descoberta que se destaca das demais.
Trata-se de uma placa de xisto com três gravuras de animais - que se supõe serem auroques -, que terá mais de vinte mil anos e foi descoberta praticamente intacta, sendo pouco comum em Portugal, refere Nuno Bicho.
Segundo o arqueólogo, foram também encontradas peças de adorno fabricadas com pequenas conchas e um único vestígio "verdadeiramente" humano: um dente com sete mil anos, mas a equipa sonha encontrar mais.
"Ainda vamos encontrar aqui a 'menina de Vale de Boi'", lança uma das arqueólogas que participa nas escavações, numa alusão ao "menino do Lapedo", fóssil de uma criança descoberto perto de Leiria há dez anos.
Carolina Mendonça, de 25 anos, aluna de Mestrado na Universidade do Algarve, integra o grupo de 14 investigadores que estão a fazer escavações no local e não esconde que este tipo de campanhas é das "poucas oportunidades" que os jovens arqueólogos têm para adquirir experiência.
Enquanto escava, vai dizendo que é um trabalho "cansativo", mas "gratificante" e relembra a emoção que sentiu quando, numa das campanhas de anos anteriores, participou na descoberta do do que se pensa ser o abrigo.
"Senti a terra a fugir-me debaixo dos pés e começaram a aparecer blocos de pedra junto uns aos outros", conta, sublinhando que naquele local seria supostamente onde se erguia o abrigo rochoso usado pela comunidade.
Muitos dos membros da equipa já participaram nas campanhas - que se realizam todos os Verões desde há dez anos -, mais do que uma vez e não são todos portugueses: há dois brasileiros e uma croata.
Perante a pacatez da aldeia de Vila de Boi, a equipa de arqueólogos vai continuar até ao início de Agosto a subir rumo ao local, munida das suas ferramentas de trabalho e cheia de vontade de escavar.Ao final do dia - trabalham cerca de nove horas -, regressam ao refúgio que alugaram para habitar por estes dias, com vista para Vale de Boi e onde convivem e descansam "entre família".
28 de Julho de 2008 10:18
lusa

11 de junho de 2008

Moliceiro...


Vão no longe moliceiros
De asas brancas, a voar,
Ao vento, leves, ligeiros,
Por sobre a ria a singrar.
Vão no longe moliceiros
De grandes velas a arfar.

Andam na faina do dia,
Desde a manhã ao sol-pôr.
Buscam nas águas da ria,
— O moliço, verde cor.
Andam na faina do dia,
Colorido, encantador.

Vogam num lago de prata,
Circundado de cristal,
Qual sonho de serenata
Numa noite sensual!
Vogam num lago de prata
Sob o céu celestial.

Cortam as ondas de espuma
Pelas águas a boiar,
E essas vagas, uma a uma,
Vão mais longe desmaiar.
Cortam as ondas de espuma
Erguidas na preia-mar.

Parecem os bandos de aves,
Que no céu vão a subir,
E depois voltam, suaves,
Muito leves, a cair.
Parecem os bandos de aves,
A luz do sol a fugir.

Descrevem curvas serenas,
Como talhada magia,
Umas maiores, mais pequenas,
Duma estranha bizarria.
Descrevem curvas serenas
Nas transparências da ria.

As proas são rendilhadas
por coloridas pinturas,
Com frases adequadas
As populares formosuras.
As proas são rendilhadas,
São ornadas de figuras.

Vão no longe moliceiros,
De asas brancas a voar...
Singram na ria altaneiros,
A luz do sol, ao luar,
Vão no longe moliceiros,
— Majestoso deslizar!

Amadeu de Sousa
(In Colectânea Poética)

29 de maio de 2008

Everest, o monte mais alto...

Everest South Summit, Nepal, 1963
Photograph by Barry C. Bishop
O monte Evereste, a montanha mais alta do Mundo com uma altitude de 8848 m, é constituído por xistos cristalinos e calcários primários. A sua altitude foi medida pela primeira vez em 1852 e o nome foi-lhe dado em honra de Sir George Everest, na época topógrafo geral da Índia.
Os Tibetanos chamam-lhe Chomolungma - Deusa Mãe do Universo - ou,
em chinês, 
Qomolangma e em nepalês Sagarmatha.
Posteriormente surgiram dúvidas acerca da primeira medição. Uma massa com aquelas dimensões produz o seu próprio campo gravitacional e a equipa de topógrafos não confiou no rigor dos seus instrumentos. Assim, fizeram seis medições e calcularam a média: exactamente 29 000 pés. Medições mais recentes, feitas por topógrafos chineses e indianos, conduziram a 8849 metros (29 032 pés), mas a medida oficial mantém-se 1 metro abaixo desta. Na realidade, as mudanças de espessura do gelo e da neve do cume alteram continuamente a altitude.
Edmund Hillary e Tenzing Norgay sobre o Sudeste Ridge prestes
a deixar o sul do Col
 estabelecer Camp IX abaixo da Cúpula Sul
do Monte Everest. Foto: Alfred Gregory, 28 de maio de 1953

Os primeiros homens a escalarem o Evereste foram o alpinista neozelandês Sir Edmund Hillary e o guia sherpa Tenzing Norgay, em 29 de Maio de 1953. Desde então, houve mais escaladas bem-sucedidas, incluindo quatro realizadas por mulheres - a primeira escalada feminina foi realizada por Junko Tabei, em 1975 - e cinco sem oxigénio auxiliar - a primeira ocorreu em 1978 e foi feita por Reinhold Messner e Peter Habeler. Em Maio de 1999, o português João Garcia atingiu o topo sem oxigénio auxiliar.

27 de maio de 2008

Le Corbusier...

Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido pelo pseudónimo de Le Corbusier, (La Chaux-de-Fonds, 6 de Outubro de 1887 — Roquebrune-Cap-Martim, 27 de Agosto de 1965) foi um arquitecto, urbanista e pintor francês de origem suíça. É considerado juntamente com Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Mies van der Rohe e Oscar Niemeyer, um dos mais importantes arquitectos do século XX. Aos 29 anos mudou-se para Paris, onde adoptou o seu pseudónimo, que foi buscar ao nome do seu avô materno. A sua figura era marcada pelos seus óculos redondos de aros escuros. Morreu por afogamento em 27 de Agosto de 1965.

Arquitectura: Seminário internacional em Lisboa vai debater legado de Le Corbusier


Arquitectos portugueses e estrangeiros participam terça e quarta-feira num seminário, em Lisboa, sobre a importância do legado de Le Corbusier para o pensamento de outros arquitectos e outros modos de produzir arquitectura.
O Seminário Internacional "Rethinking Le Corbusier" decorre até quarta-feira no Museu da Electricidade, organizado pela Ordem dos Arquitectos no âmbito da grande retrospectiva sobre o arquitecto francês de origem suíça que inaugurou dia 19 de Maio no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém (CCB).
João Rodeia, Ana Tostões, Beatriz Colomina, Stanislaus von Moos, e William Curtis serão alguns dos conferencistas portugueses e estrangeiros presentes neste seminário, que recordará o artista como um dos que marcou de forma indelével o século XX.
"Através dos seus escritos, dos seus edifícios, dos seus planos, da sua pintura, assume papel fundamental na história da modernidade. A sua obra de carácter inovador, questiona princípios e modelos de pensar arquitectura, participando numa vanguarda que teve grande repercussão e deixou um enorme legado para a história e crítica da arquitectura", refere José Manuel Rodrigues, da OA, numa nota sobre o encontro.
O objectivo da OA é, à luz da contemporaneidade, "voltar a falar da sua obra e do seu legado, questionando um princípio que, para quem se interessa verdadeiramente pelas questões da arquitectura, é fundamental para a sedimentação da prática do ofício: a recta do tempo e o olhar crítico perante a história".
A entidade propõe-se ainda debater e dar a conhecer o legado da obra de Le Corbusier na arquitectura portuguesa, tendo para tal estruturado dois módulos de debate sobre o tema, e um conjunto de visitas guiadas a algumas obras emblemáticas dessa influência, em Lisboa.
A vasta obra de Le Corbusier abrange um período de 60 anos, desde os seus primeiros trabalhos na sua cidade natal suíça, La Chaux-de-Fonds, passando pelos edifícios cúbicos da década de 20, nomeadamente a icónica Villa Savoye (1928-31), culminando com as suas últimas obras, das décadas de 50 e 60, das quais a Capela de Ronchamp (1950-55) e os edifícios da cidade indiana de Chandigarh (1952-1964) são exemplos.

Quanto à exposição no Museu Colecção Berardo, intitulada"Le Corbusier, Arte da Arquitectura", contém maquetas, pinturas, esculturas, desenhos e edições originais do arquitecto, urbanista, pintor, designer e coleccionador francês de origem suíça conhecido pelo pseudónimo Le Corbusier. A mostra, criada pelo Vitra Design Museum (Alemanha) em colaboração com o Royal Institute of British Architects (RIBA) e o Netherlands Architecture Institute (Holanda), estará no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, até 17 de Agosto, partindo depois para Liverpool, Capital Europeia da Cultura, encerrando, posteriormente, em Londres.
Dividida em três módulos independentes - "Contextos", "Privacidade e Publicidade" e "Arte Construída" -, a mostra foca igualmente os grandes temas do trabalho do arquitecto, nomeadamente, o seu interesse pelo Mediterrâneo e pelo Oriente, as formas orgânicas, na década de 30, bem como a utilização e exploração de novas tecnologias e dos media.

In: 26.05.2008 - 17h36 Lusa

22 de abril de 2008

Dia da Terra...

Hoje, dia 22 de Abril é comemorado:
- o Dia da Mundial da Terra


- em Portugal o dia Dia Nacional do Património Geológico


- e no Brasil o Dia do "Descobrimento" - Descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 22 de Abril de 1500


Pedro Álvares Cabral (Belmonte, 1467 ou 1468 — Santarém, 1520 ou 1526) foi um fidalgo e navegador português, comandante da segunda viagem marítima da Europa à Índia, viagem em que se descobriu o Brasil, a 22 de Abril de 1500.

A Armada de 1500
Nau de Pedro Álvares Cabral no Livro das Armadas (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa).

Em 1499, foi nomeado pelo soberano como capitão-mor da armada que se dirigiria à Índia após o retorno de Vasco da Gama. Teria então cerca de trinta e três anos de idade. A missão de Cabral era a de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim, reerguendo a imagem de Portugal após a apresentação do Gama, e instalando um entreposto comercial ou feitoria retornando com o máximo de mercadorias.
A sua foi a mais bem equipada armada do século XV, integrada por dez naus e três caravelas, transportando de 1.200 a 1.500 homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Era integrada por navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, tendo partido de Lisboa a 9 de Março de 1500, após missa solene na ermida do Restelo, à qual compareceu o Rei e toda a Corte.

O Descobrimento do Brasil

Litografia de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil em 1500, em rótulo de cigarros do Brasil.

A 22 de Abril, após quarenta e três dias de viagem, tendo-se afastado da costa africana, avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. No dia seguinte, houve o contacto inicial com os indígenas. A 24 de Abril, seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo, fundeando na actual baía de Santa Cruz Cabrália, nos arredores de Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de Maio.
Cabral tomou posse, em nome da Coroa portuguesa, da nova terra, a qual denominou de "Ilha de Vera Cruz", e enviou uma das embarcações menores com a notícia, inclusive a Carta de Pêro Vaz de Caminha, de volta ao reino.


"Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e
quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam
bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas,
não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e
a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural.
Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos
pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não
havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas;
assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a
fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois
dedos. Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no
logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um
carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo
dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados.
Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos
passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa,
logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca;
não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada,
provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e
lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que
lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as
e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas
e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo"
.

3 de abril de 2008

No Ártico...

Encontrada peça de marfim de três mil anos com desenhos de caça à baleia 

Uma equipa de arqueólogos descobriu no Árctico russo um artefacto de marfim com três mil anos onde estão esculpidas cenas de caça à baleia, avança hoje a revista "Nature".

As escavações decorreram no Verão passado, num local chamado Un’en’en situado na zona russa do Árctico. Os desenhos mostram um conjunto de homens com arpões, possivelmente antigos esquimós, a caçar os mamíferos marinhos. No local também foram descobertas lâminas partidas feitas de pedra e restos de baleias.

Esta parece ser a mais antiga evidência desta prática. Segundo Daniel Odess, investigador do Museu do Norte da Universidade do Alasca, a descoberta “puxa a caça à baleia mil anos para trás”. Odess liderou a expedição juntamente com Sergey Gusey, do Instituto de Investigação da Cultura e Herança Natural de Moscovo.

Durante as escavações, a equipa encontrou uma grande estrutura parecida com uma casa e desenterrou crânios de morsas e ossos e barbas de baleia de, pelo menos, duas espécies diferentes. Num dos últimos dias encontraram o artefacto de marfim que media 50 centímetros de comprimento. Os desenhos esculpidos mostram caçadores em umiags, os barcos tradicionais dos Esquimós, arpões e baleias. A caça à baleia só existe numa comunidade complexa que trabalha em conjunto. É necessário construir barcos, caçar e partilhar a carne. Até agora as provas mais antigas desta actividade tinham dois mil anos, apesar de existirem desenhos de caçadas esculpidos em rochas no sudeste da Coreia que não estão datados. No caso da peça do marfim, fizeram-se várias datações às camadas de terra que continham o artefacto através de uma técnica de marcação por carbono.

Gusey descobriu Un’en’en em 2005, o local fica na Península de Chukchi, no extremo leste da Rússia que dá para o Estreito de Bering. Nos últimos anos tem havido uma colaboração entre arqueólogos russos e norte-americanos na zona do estreito para se obter uma imagem global de como as sociedades apareceram ali. “É como um livro aberto”, comentou Odess, “metade das páginas estão na Rússia e a outra metade no Alasca”.

01.04.2008 - 14h50 PÚBLICO

21 de março de 2008

Primavera...

Chegou finalmente a Primavera...




QUADRAS AO GOSTO POPULAR


Tome lá, minha menina,
O ramalhete que fiz.
Cada flor é pequenina,
Mas tudo junto é feliz.


Teu vestido, porque é teu,
Não é de cetim nem chita.
É de sermos tu e eu
e de tu seres bonita.


Andorinha que vais alta,
Porque não me vens trazer
Qualquer coisa que me falta
E que te não sei dizer?


Água que passa e canta
É água que faz dormir...
Sonhar é coisa que encanta,
Pensar é já não sentir.


Fernando Pessoa

13 de março de 2008

Descoberta nova espécie de pigmeus...

Cientistas sul africanos descobriram recentemente novos esqueletos de hominídeos na ilha de Palau, um pequeno país do Oceano Pacífico, a leste das Filipinas.
A nova espécie, de estatura baixa- mais baixa até de que os pigmeus da floresta africana- pode estar relacionada com a descoberta efectuada em 2003 na Ilha das Flores (Indonésia, mais a sul), que se pensa terem fabricado utensílios complexos, o que os aproxima do Homo sapiens contemporâneo.
Os esqueletos de pelo menos 25 indivíduos foram descobertos pela equipa liderada por Lee Berger, da Universidade de Witwatersraund, em Joanesburgo, e datam de há entre 900 e 2800 anos.
Os detalhes da nova descoberta foram ontem publicados pela revista Public Library of Science. “As ilhas rochosas de Palau guardam numerosas grutas e refúgios, contendo muitos restos humanos fossilizados”, acentua o artigo da revista. “Descobrimos pelo menos dez lugares em que eram sepultados estes hominídeos” , asseveram os autores.
A teoria, ainda em tese, diz que os “humanos” de Palau e Flores cresceriam menos por serem ilhéus. Os Homens adultos pesavam cerca de 43 quilos e as mulheres não passavam dos 29 quilos. As cabeças são bastantes pequenas e os corpos têm uma feição primitiva.
Aconselho a ver o sítio:

11 de março de 2008

Na Rota da Índia com Vasco da Gama...

Lifted...


Título Original: Lifted
Realizador: Gary Rydstrom

Produção: Katherine Sarafian; Osnat Shurer (executive producer)
Música: Michael Giacchino

Género: Animação
Idioma: Inglês
Outros dados: EUA, 2006, 5 min.
Sítio Oficial:
http://www.pixar.com/shorts/lift/index.html


Sinopse: A história passa-se à noite numa quinta, e envolve um atrapalhado estudante alianígena chamado Stu, que está a fazer um teste de abdução com o seu rabugento professor chamado Mr. B. No teste, Stu precisa abduzir um humano (um fazendeiro que dorme profundamente) ou será reprovado. A tarefa se torna difícil, pois os botões do painel de controle da nave são todos iguais, dificultando descobrir a função de cada um...


7 de março de 2008

For the Birds...

Título Original: For The Birds
Realizador: Ralph Eggleston
Produção: John Lasseter, Karen Dufilho
Roteiro/Guião: Ralph Eggleston
Edição: Jennifer Taylor, Tom Freeman
Música: Riders in the Sky
Género: Animação
Idioma: Inglês
Outros dados: EUA, 2000, 3 min.
Nomeações: Melhor Curta-Metragem de Animação, 2000

Sinopse: O Filme, passa-se em cima de uma linha de transmissão e conta a história de um grupo de pássaros que se sentem incomodados com um pássaro de outra espécie, que quer juntar-se a eles. No final, os pequenos pássaros terão muito o que se arrepender por terem sido pouco receptivos.

3 de março de 2008


Apresentação Pública do N.º 15 de Al-Madan


Ciclo de DebatesA Arqueologia em Revista

◊ Uma nova revista, em papel (Al-Madan) e em suporte electrónico (Al-Madan Online).
◊ O grande debate nacional que muitos desejavam, descentralizado pelo país e com continuidade no ciberespaço.

Lisboa (1 Mar.) ● Porto (8 Mar.) ● Faro (15 Mar.) ● Beja (29 Mar.) ● Conimbriga (5 Abr.)


Temas de Debate

1. Arqueologia e Poder
1.1. Público / Privado
Que papel para a administração pública na área da Arqueologia?
[atribuições, competências, recursos, organização institucional...]
Como relacioná-lo com outras áreas de intervenção?
[governativa, sócio-profissional, académica, empresarial...]
1.2. Central / Regional / Local
Como distribuir e compatibilizar o papel reservado ao Estado pelas administrações públicas central, regional e local?
[descentralização de atribuições, competências e recursos]
2. Arqueologia e Arqueólogos
2.1. Como regular o acesso e o exercício da profissão?
[Ordem, sindicalismo, associativismo, credenciação...]
2.2. Como conquistar espaço de intervenção na definição das políticas e estratégias para o sector?
3.3. Como melhorar as condições de formação académica e profissional de arqueólogos e outros profissionais da área?
3. Arqueologia e Sociedade
3.1. Como sociabilizar o papel do arqueólogo e do conhecimento arqueológico?
3.2. Como promover a cultura científica na área da Arqueologia?
3.3. Como conquistar espaço de intervenção e reconhecimento na sociedade portuguesa?

Côa, o rio das mil gravuras...

Aconselho a todos, vivamente, a visualização deste documentário sobre as Gravuras do Vale do Côa - Côa, o rio das mil gravuras - um filme de Jean Luc Bouvret realizado em 2006 numa parceria Luso-Francesa.

Sinopse:
"Ao longo das margens do rio Côa, estende-se um verdadeiro tesouro arqueológico: milhares de gravuras pré-históricas ao ar livre. Aquando da sua descoberta no início dos anos 90, tiveram o efeito de uma bomba: a “arte das cavernas”, considerada até então como a regra, poderia não ter sido mais que uma excepção. Um campo de investigação imenso que veio revolucionar a nossa visão da Pré-História".