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29 de novembro de 2007

Univer(sc)idade, desafios e propostas de uma candidtura a património da humanidade...

Seminário 29 e 30 de Novembro


A candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da UNESCO representa, mais do que uma pretensão classificativa, o desafio de mudança sobre o modo de pensar e intervir no património construído.

Esta candidatura, em que a Universidade e própria Cidade de Coimbra compartilham a história, o território e as pessoas que nele vivem ou trabalham, determina necessariamente um esforço conjunto, não só para reafirmar a especificidade de cada instituição, mas também, para criar sinergias e encontrar os melhores processos, estratégias e propostas de acção para uma reabilitação urbana que respeite os conceitos e processos desenvolvidos e aceites pela UNESCO e as exigências actuais da construção de um desenvolvimento sustentável.

É nesta perspectiva de projecto comum que a Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Coimbra se associam para promover este Seminário onde se pretende conhecer e questionar os diferentes métodos, técnicas e práticas operativas hoje adoptadas nas acções de reabilitação, salvaguarda e valorização do património, com o objectivo de estabelecer as bases de uma metodologia de abordagem que seja comum às duas instituições e que possa ser aplicada num território tão complexo como fascinante, denominado de Univer(sc)idade.

Para mais informações, consulte: http://reab.uc.pt

7 de novembro de 2007

5 de novembro de 2007

Vale do Côa, Um lugar Mágico...

Entre rochas que parecem invioladas há cerca de 30.000 anos, foi descoberto, no vale do Côa, o primeiro santuário ao ar livre de artistas do Paleolítico. Acompanhando parte do trajecto deste rio que corre de Sul para Norte, detectaram-se centenas de painéis que indiciam o nascimento das... Belas-Artes no território português. Encasulada neste vale, ficou a chama criadora de gerações de artistas geniais (in National Geographic).

Em 1994 um grupo de arqueólogos portugueses anunciou alto e bom som que no vale do Rio Côa havia ‘um tesouro’ único no mundo, gravuras feitas por homens que ali tinham vivido há cerca de 20 mil anos! O assunto saltou fronteiras devido à idade atribuída àquelas obras de arte.

Se lhes dessem cem anos, mil anos ou cinco mil anos, ninguém ligaria grande importância porque dessas épocas há vestígios com fartura em toda a parte. Mas vinte mil anos era absolutamente extraordinário! Se de facto as gravuras tivessem sido feitas nesse período recuado a que se dá o nome científico de Paleolítico Superior, isso obrigava a rever o que já se concluíra a respeito da vida dos homens primitivos. Até então pensava-se, por exemplo, que os homens de há 20 mil anos pintavam e gravavam figuras sobretudo nas paredes ou tectos das cavernas. A descoberta das gravuras de Foz Côa prova que afinal os artistas do Paleolítico Superior também exprimiam os seus impulsos criadores à luz do sol.
Não admira portanto que os arqueólogos se entusiasmassem imenso com a descoberta, já que dedicam a vida a tentar reconstituir e compreender outras épocas da História da Humanidade. Como sempre que se trata da Pré-História têm que tirar conclusões a partir de fragmentos ínfimos e vestígios ténues da presença humana, uma estação arqueológica enorme como a de Foz Côa oferecia-lhe de facto um verdadeiro tesouro, uma fonte inesgotável de informações que logo à partida tornava o homem do Paleolítico mais próximo.
1ª Visita - Penascosa
Numa zona de vale mais aberto o rio Côa forma uma praia relativamente extensa, cujas areias poderão estar a tapar mais rochas gravadas para além das que já são conhecidas. As escavações realizadas revelaram a ausência de níveis arqueológicos que comprovassem tais ocupações, os quais devem ter sido erodidos no início do Holocénico (o período geológico em que vivemos actualmente). Os depósitos fluviais actualmente observáveis no fundo do vale são relativamente recentes, a sua parte superior tendo sido acumulada apenas no decurso do último milénio.
Boa parte dos suportes das gravuras parece estar num estado adiantado de fragmentação. Surgem representações de cavalos, cabras, a associação cavalo-auroque bem como alguns signos e peixes. Particularmente interessante é o facto de serem comuns as representações em que o artista procurou transmitir a ideia de movimento, como demonstra uma possível cena de acasalamento em que uma égua é coberta por um cavalo cujas três cabeças procuram, tal como se faz na moderna banda desenhada, transmitir a ideia de um movimento descendente do pescoço.
2ª Visita - Canada do Inferno
A Canada do Inferno fica num troço em que o rio Côa percorre um vale profundo, com um encaixe de cerca de 130 metros . Era nesta zona do vale que estava em construção a barragem de Foz Côa. Foram já inventariadas várias dezenas de rochas gravadas, a maior parte das quais está submersa a pouca profundidade desde 1983, em consequência da construção da barragem do Pocinho, cuja albufeira penetra pelo vale do Côa acima até cerca de 6 km a montante da confluência com o Douro.
Entre as gravuras que datam do Paleolítico os motivos predominantes são as representações de auroques, cabras, cavalos e vários peixes gravados. Uma interessante componente deste núcleo são as gravuras de idade moderna ou contemporânea, cuja cronologia pode ser determinada em virtude de a respectiva data de execução (e, por vezes, o próprio nome do artista) também ter sido gravada. Entre o século XVII e o século XIX representaram-se sobretudo temas religiosos vários: cruzeiros, relicários, custódias. Em meados do século XX preferiu-se o registo de motivos seculares ou de cenas do quotidiano, como o sol e a lua, castelos, ou o comboio atravessando a ponte ferroviária da foz do Côa.

3ª Visita - Ribeira de Piscos
A foz da ribeira de Piscos marca a transição entre as encostas suaves por entre as quais o Côa flui desde a Quinta da Barca e o vale profundamente encaixado que percorre até à confluência com o Douro.

As figuras aqui encontradas contam-se entre as mais conhecidas gravuras do Côa, nomeadamente o tão conhecido "Homem de Piscos". No fundo do vale, junto à ribeira, está o painel da cena que representa dois cavalos de cabeça enlaçada; numa rocha ao lado está uma figura humana sobreposta a um auroque desenhado em gravado estriado (contorno gravado por incisão fina, cabeça e corpo preenchidos com numerosos traços de técnica idêntica). A cota mais elevada encontra-se ainda outro painel de gravuras filiformes representando quatro cavalos de cronologia paleolítica representados com grande realismo, num estilo que evoca a arte do final do Paleolítico superior.



Fomos lindamente recebidos pelos guias, Helena e Pedro, do PAVC - Parque Arqueológico do Vale do Coa. Estando sol ou chuva, mais ou menos cansados, fazem-nos conhecer um pouco da história da história destas gravuras, respondendo sempre às questões levantadas pelos visitantes (muitas das vezes numa outra língua que não a nossa), tornando a visita incansantemente interessante e por vezes mágica.

V Encontro de Arqueologia do Algarve...


Decorreu nos dias 25, 26 e 27 de Outubro de 2007 o 5º Encontro de Arqueolgia do Algarve, no Auditório da Fissul - Silves, com o seguinte programa:

Dia 25 de Outubro
09.00h - Recepção dos participantes e entrega da documentação

09.30h - Sessão de Abertura
10.00h - Pausa
1º Painel - Moderador António Faustino Carvalho
10.15h - Nuno Ferreira Bicho; João Cascalheira; João Marreiros: “As intervenções arqueológicas de 2006 e 2007 no sítio Paleolítico de Vale Boi”
10.45h - Nuno Inácio, David Calado, Francisco Nocete, Catarina Oliveira, Ana Peramo, Moisés R. Bayona: “Pré-História e Megalitismo na região de Cacela. Uma proposta integrada de Investigação, Valorização e Protecção do património arqueológico”
11.15h - Mário Varela Gomes: “O alinhamento da Vilarinha. Estrutura megalítica da região de Silves”
11.45h - Mário Varela Gomes: “Padrão 9 (Vila do Bispo). Um monumento singular do Barlavento Algarvio”
12.15h - João Luís Cardoso; Alexandra Gradim: “Sepultura Cistóide em Cabeço da Vaca II (Alcoutim)”
12.45h - Ana Margarida Arruda; Jaquelina Covaneiro; Sandra Cavaco: “A Necrópole da Idade do Ferro do Convento da Graça, Tavira”
13.15h - Debate
13.30h - Almoço
2º Painel - Moderador José d’Encarnação
15.00h - Ana Margarida Arruda; Elisa de Sousa; Patrícia Bargão; Pedro Lourenço: “Monte Molião (Lagos): resultados de duas campanhas de escavação”
15.30h - Patrícia Bargão: “Intervenção de emergência na Rua do Moleão, Lagos. Resultados Preliminares”
16.00h - Rui Barbosa; Nuno Ferreira; Pedro Aldana: “Centro Histórico de Lagos: da ocupação romana à contemporaneidade: Resultados preliminares da intervenção no edifício da Rua 25 de Abril, n. 57-71″
16.30h - João Pedro Bernardes: “O Centro Oleiro do Martinhal”
17.00h - Maria de Jesus Kremer: “A villa romana da Abicada: arquitectura e mosaicos”
17.30h - Dennis Graen: “The site of Quinta de Marim (Olhão): results and perspectives of investigation”
18.00h - Miguel Dias: “Ocupação Romana de Faro - Intervenção na Rua Serpa Pinto 37-41″
18.30h - Pausa
18.45h - Conferência: “Problemáticas e perspectivas de estudo sobre as cidades islâmicas e os exemplos do Algarve” - Helena Catarino
19.45h - Debate
20.30h - Jantar oferecido pela Câmara Municipal de Silves


Dia 26 de Outubro
3º Painel - Moderador Helena Catarino

09.00h - Ana Vieira; Cristina Chanoca; Ana Casimiro: “Silves Polis 2004-2006: Alguns dados para a história da cidade”
09.30h - José Costa; Paula Barreira Abranches: “Urbanismo do arrabalde de Silves na véspera da reconquista cristã”
10.00h - Isabel Luzia: “A primeira campanha de escavação da “Casa das Bicas” - Loulé”
10.30h - Marta Moreno-Garcia; Carlos Manuel Pimenta: “Um retrato faunístico dos vertebrados de Alcaria de Arge (Portimão)”
11.00h - Pausa
4º Painel - Moderador Manuela Martins
11.15h - Mónica Corga; Maria João Neves; Maria Teresa Ferreira; Filipe Gonçalves: “Dinâmica peri-urbana de Faro, a partir de uma intervenção arqueológica na Santa Casa da Misericórdia”
11.45h - Helena Catarino; Isabel Inácio: “A ocupação tardo-medieval e moderna no castelo de Paderne”
12.15 - Nuno Silveira; Rui Fragoso: “Lagos: a igreja, a muralha e a cidade”
12.45h - Raquel Santos; Tiago Fontes:” Intervenção Arqueológica na Rua do Jardim, nº21. Centro Histórico de Lagos”
13.15h - Debate
13.30h - Almoço
15.00h - Visita de Estudo
Necrópole do Vale da Telha - Aljezur
Ribat da Arrifana - Aljezur
Castelo Belinho - Portimão
Museu Municipal de Portimão


Dia 27 de Outubro
Mesa Redonda - “Formação e Ensino em Arqueologia”

10.00h - Intervenção do Moderador Carlos Fabião - Faculdade de Letras de Lisboa
10.30h - Debate com a participação de:
João Pedro Cunha Ribeiro - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico
José Macário Correia - Associação de Municípios do Algarve
Nuno Bicho - Universidade do Algarve
Leonor Rocha - Associação Profissional de Arqueólogos
Virgílio Lopes - Escola Profissional de Arqueologia de Mértola
João Nuno Marques - Empresa de Arqueologia PALIMPSESTO
12.45h - Debate com todos os participantes
13.15h - Almoço
5º Painel - Moderador João Luís Cardoso
15.00h - Ana Margarida Arruda; Carlos Samuel Pereira: “As ocupações antigas e modernas do Forte de São Sebastião, Castro Marim”
15.30h - Jean-Yves Blot; Hélder Tareco; Fernando Almeida; Maria Luísa Pinheiro Blot; Paulo Oliveira; Mário-Jorge Almeida; Mari Salminen; Gui Garcia; Miguel Aleluia: “O projecto Carrapateira (CNANS/IPA, 2000-2007): do espectro de dispersão arqueológica de um sitio de naufrágio ao contexto geomorfológico e geofísico”
16.00h - Cláudia Santos; Carla Silva Barbosa; Sílvia Ramos: “Contributo da Antropologia Biológica para a História de Silves: resultados das intervenções arqueológicas durante o Programa Polis (2004-2006)”
16.30h - Nuno Ferreira; Márcia Diogo; Catarina Costa; Fernando Faria; Teresa Matos Fernandes: “Um enterramento, um edifício, um mapa, as fontes… uma gafaria em Lagos?”
17.00h - Debate
17.15h - Pausa
17.30h - Conferência: “Dos Ossos às Populações: trabalhos de Antropologia no Algarve” - Maria Teresa Ferreira
18.30h - Debate
18.45h - Lançamento da Revista Xelb 7 - Percursos de Estácio da Veiga - Actas do 4º Encontro de Arqueologia do Algarve
19.00h - Encerramento do Encontro



E assim lá passou o V Encontro de Arqueologia do Algarve, onde mais que um encontro é uma reencontro de amigos... A todos eles o meu muito obrigada!