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13 de janeiro de 2009

Xutos & Pontapés...

Os Xutos & Pontapés iniciam hoje as celebrações de 30 anos de carreira musical com uma festa privada no Pavilhão de Portugal, onde vão apresentar um novo "single".
A assessora de imprensa do grupo, Isabel Castano, adiantou à agência Lusa que os Xutos & Pontapés actuarão para um grupo de cerca de mil convidados que vão ter oportunidade de conhecer em primeira-mão o novo trabalho da mais emblemática banda Rock portuguesa.
Com a festa privada em Lisboa os Xutos & Pontapés iniciam as celebrações dos trinta anos de uma carreira que arrancou com um concerto nos Alunos de Apolo a 13 de Janeiro de 1979.
Zé Pedro, Tim, Kalú, João Cabeleira e Gui têm estado em estúdio a ultimar um novo álbum, que sairá em Março, cinco anos depois de "O mundo ao contrário", atestando a vitalidade de um grupo que se chegou a chamar Beijinhos e Parabéns, teve vários fôlegos, mas que se segurou no rock em português para todas as idades.
A biografia oficial dá conta de que o primeiro concerto decorreu numa festa nos Alunos de Apolo que serviu de despedida dos Faíscas, de Pedro Ayres Magalhães, e de celebração dos 25 anos do rock.
Todos na beira dos vinte anos, os Xutos e Pontapés Rock'n'Roll Band (Zé Pedro na guitarra, Tim no baixo, Kalú na bateria e Zé Lionel na voz) tocaram quatro temas em seis minutos com a fúria de quem está a começar, influenciados pelo punk e pelo rock e a sonharem ser a melhor banda do mundo.
Trinta anos depois, com a sabedoria de quem experimenta os cinquenta, o grupo trabalhou o novo álbum sem pressões, mas com a excitação de "um puto", disse Zé Pedro à agência Lusa em finais de 2008.
Olhando para trás, o percurso dos Xutos & Pontapés nem sempre foi linear. No começo dos anos 1980 deu-se a passagem fugaz de Francis como segundo guitarrista e a saída de Zé Leonel como vocalista, um lugar que viria a ser ocupado até hoje por Tim. Entraram ainda o guitarrista João Cabeleira e o saxofonista Gui, que completam a formação actual do grupo.
"Sémen" e "Toca e foge" foram os primeiros singles a sair e em 1982 lançaram o álbum "78/82", que reunia os temas feitos durante aquele período.
Fizeram o circuito alternativo em Lisboa, com passagem pelo Rock Rendez-Vous, onde gravaram o álbum "Cerco", mas o grande sucesso bateu-lhes à porta em 1987 com "Circo de Feras", e com "7 Single", que continha "A minha casinha".
No começo dos anos 1990, o grupo passou por uma crise interna, o que levou Tim a integrar os Resistência e Zé Pedro e Kalú a gerirem o Johnny Guitar, em Lisboa. Voltariam com o álbum "Dizer não de vez" em 1992.
Até 2009, ano de novo álbum, os Xutos & Pontapés fizeram dezenas de concertos, lançaram onze discos e na era do DVD registaram dois concertos em Lisboa e uma retrospectiva de carreira.
Na equação de sucesso dos Xutos & Pontapés entra ainda o público. São milhares de fãs portugueses, de diferentes gerações, que acompanham o grupo há largos anos e é para eles que a banda prepara concertos especiais, como a digressão acústica "Nesta cidade", por todo o país, ou a recente passagem pelo Pavilhão Atlântico.
O empenho foi recompensado em 2004 pelo então presidente da República Jorge Sampaio, que os agraciou comendadores da Ordem do infante D. Henrique.
Do que já está marcado para este ano para celebrar os trinta anos da banda, sabe-se que vão actuar a 06 de Fevereiro, em formato acústico, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, e em Setembro no Estádio do Restelo, em Lisboa.
Lusa

Tintin faz 80 anos...

Foi a 10 de Janeiro de 1929 que o belga "Le Petit Vingtième" publicou a primeira prancha de Tintin, dando início a uma aventura cuja actualidade, 80 anos depois, se faz cada vez mais distante da banda desenhada.

Na primeira prancha, a preto e branco, tal como as oito aventuras que se seguiram (mais tarde, redesenhadas a cores), Tintin partia, de comboio, para o "País dos Sovietes", onde escreveria a primeira e única reportagem. Era um início marcado pela ingenuidade e pelo desenvolver do argumento ao correr dos desenhos, mas em que Hergé já revelava as qualidades - legibilidade, domínio da planificação, dinamismo do traço, construção da trama - que fariam dele um dos nomes maiores da 9ª arte.

Depois da Rússia, retratada de forma crítica e parcial, por influência do director do jornal católico que o publicou, Hergé levaria o seu herói a África e aos Estados Unidos, à América do Sul, um pouco por toda a Europa e mesmo à Lua, 20 anos antes de Armstrong. Com Tintin, construiu uma obra equilibrada e deslumbrante, traçada num primoroso estilo linha clara, tendo por principais vectores a aventura, a amizade, a lealdade e o sentido de justiça.

E que hoje permanece perfeitamente legível - e inalterada, devido à vontade expressa por Hergé - e na qual se encontram algumas obras-primas da BD. Mas que, nalguns casos, necessita de ser lida e interpretada à luz da época e do contexto em que foi criada, para evitar acusações como "racista", "defensor de maus tratos aos animais" ou "colaboracionista", que regularmente são feitas a Hergé. O caso mais recente veio, nesta semana, nas páginas do jornal "The Times", em artigo de Matthew Parris, ex-deputado britânico, intitulado "Claro que Tintin é gay. Perguntem a Milu" - o cão que acompanha o herói por todo o lado -, desmontado por estudiosos e defensores da obra de Hergé.

A venda de originais tem também feito manchetes, como em Abril passado, quando o desenho a guache que serviu de capa à primeira edição de "Tintin na América", datado de 1932, foi leiloado por 762 mil euros.

Com mais de 200 milhões de álbuns vendidos, a actualidade de Tintin a nível editorial (uma vez que o último álbum original é de 1976 e que Hergé faleceu em 1983) vem das sucessivas reedições em novas línguas e dialectos (que somam já mais de 50) e formatos, como o recente "Tout Tintin", que compila as 24 histórias num único tomo de 1694 páginas.

Isto a par do filme e da inauguração do Museu Hergé, marcada para 22 de Maio, data do 101º aniversário do nascimento do pai de Tintin. Situado em Louvain-la-Neuve, na Bélgica, foi desenhado com a forma de um prisma, quase sem ângulos rectos, que parece flutuar, pelo arquitecto francês Christian de Portzamparc.

A vontade de Steven Spielberg adaptar Tintin levou-o a conversar com Hergé sobre o assunto, tendo adquirido os direitos cinematográficos logo em 1983, adivinhando alguns a sua sombra em Indiana Jones, nomeadamente no espírito de aventura pura que percorre os filmes.

Em 2007, após acordo com os herdeiros de Hergé, Spielberg anunciou uma trilogia com actores de carne e osso, em parceria com Peter Jackson, em que o primeiro filme, dirigido por si e baseado no díptico "O segredo da Licorne"/"O Tesouro de Rackham, o terrível", estrearia em 2008. O segundo filme, dirigido por Jackson, seria baseado em "As Sete bolas de Cristal"/"O Templo do Sol", juntando-se os dois para realizar a última película, sobre "Rumo à Lua"/ "Explorando a Lua".

Só que as dificuldades para conseguir os 130 milhões de euros de financiamento para o projecto atrasaram-no sucessivamente, estando agora previsto o início das filmagens para Fevereiro e a estreia em 2010.