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22 de dezembro de 2006

Presépio...


Presépio pintado à mão por:
Alexandra Pires, Luísa Mogo e Carolina Mendonça
A palavra “presépio” significa “um lugar onde se recolhe o gado, curral, estábulo”. Contudo, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José e uma vaca e um jumento, por vezes acrescenta-se outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, entre outros. Os presépios são expostos não só em Igrejas mas também em casas particulares e até mesmo em muitos locais públicos.

O nascimento de Jesus começou a ser celebrado desde o século III, data das primeiras peregrinações a Belém, para se visitar o local onde Jesus nasceu. Desde o século IV, começaram a surgir representações do nascimento de Jesus em pinturas, relevos ou frescos.

Passados 9 séculos, no século XIII, mais precisamente no ano de 1223, S. Francisco de Assis decidiu celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio (ou Grécio), que se situava perto da cidade. S. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. José. Com isto, o Santo pretendeu tornar mais acessível e clara, para s cidadãos de Assis, a celebração do Natal, só assim as pessoas puderam visualizar o que verdadeiramente se passou em Belém durante o nascimento de Jesus.

Este acontecimento faz com que muitas vezes S. Francisco seja visto como o criador dos presépios, contudo, a verdade é que os presépios tal como os conhecemos hoje só surgiram mais tarde, três séculos depois. Embora não considerado o criador dos presépios (depende do ponto de vista), é indiscutível que se o seu contributo foi importantíssimo para o crescimento do gosto pelas recriações da Natividade e, consequentemente, para o aparecimento dos presépios.

No século XV, surgem algumas representações do nascimento de Cristo, contudo, estas representações não eram modificáveis e estáticas, ao contrário dos presépios, onde as peças são independentes entre si e, desta forma, modificáveis. É, nos finais do século XV, graças a um desejo crescente de fazer reconstruções plásticas da Natividade, que as figuras de Natal se libertam das paredes das igrejas, surgindo em pequenas figuras. Estas figuras, devido à sua plasticidade, podem ser observadas de todos os ângulos; outra característica destas é a de serem soltas, o que permite criar cenas diferentes com os mesmas figuras. Surgem, assim, os presépios.

A criação do cenário que hoje é conhecido como presépio, provavelmente, deu-se já no século XVI. Segundo o inventário do Castelo de Piccolomini em Celano, o primeiro presépio criado num lar particular surgiu em 1567, na casa da Duquesa de Amalfi, Constanza Piccolomini. No século XVIII, a recriação da cena do nascimento de Jesus estava completamente inserida nas tradições de Nápoles e da Península Ibérica (incluindo Portugal).

Actualmente, o costume de armar o presépio, tanto em locais públicos como particulares, ainda se mantém em muitos países europeus. Contudo, com o surgimento da árvore da Natal, os presépios, cada vez mais, ocupam um lugar secundário nas tradições natalícias...

19 de dezembro de 2006

Chove. É dia de Natal.

Ile de la Cité,
Paris 2005
...
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
...
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
...
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
...
Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
de Fernando Pessoa

Análise dos materiais líticos da camada E da Lapa do Picareiro

Bem, aqui fica um pequeno resumo do o meu trabalho final de curso - Património Cultural.

O trabalho aqui apresentado pretende dar continuidade ao projecto coordenado por Nuno Bicho – Paleoecologia e Ocupação Humana da Lapa do Picareiro – que teve início em 1998. A Análise dos materiais líticos da camada E da Lapa do Picareiro foca os materiais líticos correspondentes à ocupação Magdalenense da Lapa do Picareiro, com datação entre os 11,500 e os 10,000 BP. Este trabalho debruça-se essencialmente sobre as questões de utilização de tecnologia referentes à produção de utensilagem lítica, tendo como objectivo principal um melhor conhecimento da utilização do espaço local e regional bem como, a integração da Lapa do Picareiro ao nível do Paleolítico Superior da Estremadura Portuguesa.
A estrutura do trabalho pode ser dividida em duas partes. Inicialmente são abordadas algumas questões referentes ao Paleolítico Superior em Portugal, nomeadamente o Paleolítico Final – Magdalenense – bem como uma pequena abordagem ao sítio da Lapa do Picareiro (localização, trabalhos arqueológicos, metodologia de escavação, estratigrafia e cronologia, resultados preliminares paleoambientais e material lítico). A segunda parte diz respeito à análise dos artefactos líticos, passando em primeiro lugar, pela metodologia utilizada ao longo do estudo e, em segundo lugar, pela descrição dos artefactos, quer tipológica quer tecnológica. No fim, é apresentada uma nota conclusiva com o intuito de cruzar os dados recolhidos com dados já existentes, expondo o contexto paleolítico da Lapa do Picareiro, nomeadamente no que diz concerne à produção de utensilagem lítica.”

Cabreia...

Resultado das fabulosas conjugações água/verde e serra/frio, Sever do Vouga oferece-nos certas surpresas paisagísticas merecedoras de contemplação pela beleza indescritível dos seus recantos variáveis com as estações do ano.
Indubitavelmente bela e relaxante, a Cascata da Cabreia consegue oferecer ao seu visitante de tudo um pouco: a frescura provocada pela queda de água na bacia fluvial, a vegetação densa e ordenada pela intervenção a que recentemente foi sujeita através de um projecto de recuperação, os recantos convidativos a sentimentos mais românticos, as mesas e bancos de apoio vindos ao encontro de quem quer associar ao descanso o gosto gastronómico. Para além da Cascata da Cabreia, a freguesia de Silva Escura conta ainda com a Cascata da Frágua da Pena que brevemente será objecto de candidatura para limpeza e melhoria de acessos.Tudo isto é resultado dos esforços conjuntos da Junta da Freguesia, da ADRIMAG (Programa Leader) e da Câmara Municipal que, com verbas próprias e comunitárias, conseguiram esculpir até ao presente uma das maiores obras de promoção turística do Concelho. Para quem se sentir atraído pela descoberta deste recanto, basta tomar a E.N.328, que leva a Vale de Cambra, seguindo à esquerda para Silva Escura na saída Norte da sede do concelho e tomar a direcção do rio Mau, onde a cerca de 1500 metros do centro da freguesia, a poente daquele rio e no sentido da foz, se situa a Cascata da Cabreia com uma altura de quase 25 metros.
Para além da limpeza na própria cascata e linha de água, realizaram-se igualmente limpezas da zona envolvente, recuperaram-se os moinhos, melhoraram-se os acessos, construíram-se pontes, mesas de apoio e instalações sanitárias. Estes são motivos mais que suficientes para se visitar a Cabreia, onde poderá usufruir de um contacto puro e directo com a natureza e que lhe proporcionará com toda a certeza, as mais inesquecíveis sensações.

Também os romanos passaram por aqui...

Designação: Ereira
Tipo de sítio: Via
Cronologia: Romano
Classificação: Imóvel de interesse público
Localização: Aveiro, Sever do Vouga, Talhadas, Ereira
Coordenadas UTM: 4502,9/559,5
Descrição: Os lugares de Doninhas e Ereira são honrados com a presença de um troço de Via Romana, parcialmente destruído, que durante séculos foi trilhada pelas legiões que nesta parte da Lusitânia mantinham o poder de Roma. Este troço fazia a ligação entre o nó de Viseu e a estrada de Olisipo/Bracara, isto é Lisboa/Braga, pertencente à rede viária romana – séculos II e IV. Esta via entroncava na estrada Olisipo/Bracara na zona do Cabeço do Vouga, passando por Talhadas, Benfeitas, Reigoso, S. Pedro do Sul e Viseu.
Trabalhos realizados: Sondagem 1992 (início:20-04-1992 – fim:24-04-1992): Este trabalho teve como objectivo verificar a existência ou não de um troço viário romano. Efectuaram-se duas sondagens com 300 cm x 150 cm. A primeira evidenciou a cerca de 40 cm de profundidade, vestígios de uma via antiga, com características tipológicas romanas. A segunda revelou a inexistência de vestígios da via. Ao afloramento xistoso sobrepõe-se uma camada de terra uniforme, colocada intencionalmente, anos atrás, para regularização do pavimento. Conservação e Restauro/1995 (início:10-04-1995 – fim:31-08-1992): Como objectivo, este trabalho, orientado pelo arqueólogo Dr. Paulo César dos Santos, teve o intuito de proceder à limpeza e consolidação do troço, de aproximadamente 230 metros, tendo em vista a valorização do monumento. Foram possíveis de constatar, no decorrer dos trabalhos, a existência de dois tipos diferenciados de cobertura do corpo da via: na área de maior declive, uma cobertura do corpo da via com grandes lajes de granito, algumas das quais com 1,10 metros de comprimento por 0,80 metros de largura a cerca de 0,70 metros de profundidade, por outro lado, numa zona em que o declive não é tanto acentuado, recorreu-se a outra estratégia, rasgou-se o afloramento rochoso, ficando o corpo da via naturalmente pavimentado. Nos locais onde não existia este afloramento rochoso, os espaços foram preenchidos com uma argamassa muito forte, constituída por uma mistura de pequena pedras, fragmentos muito reduzidos de cerâmica e argila.
Ref. Bibliográficas: Desconhecidas