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16 de agosto de 2016

Having a baby in the Netherlands, part I...

Credits birthinholland.com
Ora então... a pergunta que muitos me fazem é: E que tal é ter um bebé na Holanda?

Pode parecer estranho, mas a verdades das verdades é que ainda não cheguei a um veredicto final. Não sei dizer se é melhor ou pior que ter um filho em Portugal... é certamente muito diferente... e na minha experiência, mais caro também...

A palavra-chave para o parto na Holanda é NATURAL. Do ponto de vista holandês o parto não é visto como uma doença nem como uma condição médica e, como tal, as mulheres grávidas não são tratadas como pacientes. Até aqui tudo bem... Mas e se as coisas não correm bem? Se a grávida tem dores ou alguma condição pré-existente? Se os exames revelam alguma necessidade extra de acompanhamento?

Bem, vamos por partes...
A primeira coisa a fazer é contactar com uma Verloskundige, que é como quem diz uma parteira. O papel de um médico, obstetra e/ou ginecologista numa gravidez normal na Holanda é menor, ou inexistente de todo (excepto quando há complicações...),  quando comparado com Portugal. Ora para escolher uma parteira podemos:
  • pedir uma lista de parteiras locais ao nosso Huisarts, que e como quem diz médico de família;
  • pedir referencias aos amigos / mães locais;
  • através duma pesquisa na KNOV - Koninklijke Nederlandse Organisatie van Verloskundigen, que é como quem diz a Organização Real Holandesa das Parteiras.
O primeiro contacto com a parteira escolhida (no nosso caso, optamos por pedir referencias aos nossos amigos que estavam por cá), deve ser realizado entre a 8ª e a 10ª semana de gravidez. Escolhida a parteira fizemos uma espécie de entrevista / consulta inicial para ver se gostávamos da abordagem da mesma... quer dizer... se estávamos em sintonia. Pareceu-nos que sim...

As vistas com a parteira têm uma base regular, aumentando semanalmente com o aproximar da data prevista do parto. Entre outras coisas, é da responsabilidade da parteira fazer o levantamento do historial médico da mãe e do pai, bem como da família mais chegada, verificar a pressão arterial, os níveis de ferro no sangue e monitorizar o crescimento fetal, posição e batimento cardíaco do bebé. Em caso de complicações ou de um maior risco durante a gravidez, durante o parto ou no período pós-parto é, também da responsabilidade da parteira encaminhar a grávida a um ginecologista que passa a assumir a responsabilidade pela mesma.

É a parteira que passa o referel para a primeira ecografia (onde se estabelece a datação da gravidez e se realiza o exame biofísico fetal para diagnóstico de malformações, avaliação de marcadores cromossómicos, determinação do número de embriões, placenta(s) e membranas) e a segunda ecografia (exame morfológico fetal para diagnóstico de malformações). Não se realiza, por norma, a terceira ecografia sem razão médica aparente (poupadinhos, poupadinhos estes holandeses...). O rastreio combinado do primeiro trimestre da gravidez (que em conjunto com a idade materna, permitem calcular o risco de o bebé ser portador de anomalias genéticas como a Trissomia 21, Trissomia 18 e Trissomia 13 numa fase precoce da gravidez) não faz parte do diagnóstico pré-natal coberto pelo seguro. Apesar de o exame ser de acesso geral, apenas é coberto pelo seguro em  casos de gravidez de alto risco ou quando a mãe tem mais de 36 anos aquando da 18ª semana de gestação.

Feita a primeira entrevista / consulta com a nossa parteira, esclarecemos desde logo alguns pontos de que não abriríamos mão (excepto em caso de contra-indicação médica, claro!) e que já tínhamos definido entre nós, o parto seria hospitalar e, em caso de necessidade, com anestesia epidural.
  • Na Holanda a taxa de partos em casa é bastante alta (lá está... tudo ao natural...). Se após a primeira avaliação médica por parte da parteira a gravidez for considerada de baixo risco, as mulheres podem optar por dar à luz em casa. Caso seja detectado algum tipo de condição médica que ponha em risco a mãe ou a criança, o parto domiciliar é descartado. No caso de um parto hospitalar (e tal como em Portugal) a assistência é feita por uma parteira e, só se houver complicações médicas, por um obstetra.
  • Quando se opta por um parto hospitalar numa gravidez de baixo risco na Holanda, é necessário ter em atenção que nem todos os seguros cobrem as despesas hospitalares, o ideal é contactar a seguradora (convém não esquecer que mudando o ano legal, o contracto com a seguradora pode alterar-se e aspectos que estavam cobertos podem deixar de estar e vice-versa... porreiro não?!?!?). Normalmente as mulheres voltam para casa em menos de 24 horas se não se registarem complicações (o normal é após 4 horas... verdade, verdadinha!!!).
  • A taxa de utilização da epidural na Holanda é bastante baixa e existe mesmo uma ausência de anestesistas disponíveis fora das "horas normais de trabalho". O ideal é contactar o hospital escolhido e ver qual o tipo de anestesias que estão ao dispor. Mais uma vez convém ter em atenção se a anestesia está coberta pelo seguro ou não.
To be continued...

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