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8 de julho de 2016

Sweet Amélia...

8 de Junho de 2016 será sempre para nós o dia da nossa Amélia, a princesa dos olhos doces...
Esta gravidez não foi fácil... Desde cedo comecei com algumas dores que, ao longo dos 9 meses se foram acumulando... Haviam várias preocupações, tendo em conta a minha gravidez anterior que culminou numa cesariana de certo modo complicada...

A nossa preferência foi sempre a de um parto natural, mas a evolução do último mês acabou por nos levar a marcar uma cesariana... As dores e o mau estar eram cada vez piores... passei quase os últimos dois meses a paracetamol e deitada a maior parte do tempo. Claro que o facto de estar sempre deitada levou-me a ter mais dores no corpo e mais dores de costas, mas se havia dias em que passava mais tempo de pé ou andar mais, acabava por passar os dias seguintes sem me conseguir mexer... Portanto tudo isto era uma valente bola de neve!

Nas últimas três semanas não tive quase contracções nenhumas e sentia que a minha pequena ervilha se mexia cada vez menos. Acabei por ir fazer vários controlos de CTG para assegurar que estava tudo bem. A ideia geral que nos foi sendo transmitida no hospital é que, conforme o tempo ia passando e não demonstrava quaisquer tipo de início de parto, mas difícil seria ter um parto natural...Fomos tentando contrariar a ideia, mas para o fim comecei a ter dores só de me sentar, comer era um suplicio, caminhar só em modo arrastada... 

Comecei a ter algumas nódoas negras na barriga até que nos disseram que afinal (e não como foi previsto na ultima ecografia) o mais certo era ter novamente um bebé grande e que seria aconselhável optar pela cesariana, sendo que a decisão seria sempre nossa... Comecei a lembrar-me de todo o parto do Sebastião, da reacção à oxidocina, da reacção à epidural e do meu pequeno grande bebé de 4.460kg, da recuperação lenta e dolorosa que se seguiu, e acabamos por ceder e marcar cesariana (esperando sempre que até lá, por um qualquer milagre entrasse em trabalho de parto normal...) Não aconteceu, nem com um fim de semana agitado onde me esforcei (com a ajuda do belo paracetamol) em caminhar e me movimentar...

Na quarta de manhã cedinho acordamos todos, levamos o Sebastião à creche e fomos para o hospital Sint Lucas Andreas Ziekenhuis. Eu dormi mal, muito mal... estava ansiosa e por algum motivo receosa. Fomos encaminhados para o meu quarto (sim, sim... um quarto privativo... um luxo!) onde nos mandaram esperar... Teoricamente seria às 10.30h mas podia haver alterações. Eu estava ansiosa, mas tentava disfarçar... O Bruno tentava meter conversa e algumas piadas para me animar, mas acho que o esforço dele foi em vão... A certa altura pediram para ir tirar sangue, e mais tarde veio uma enfermeira fazer uma série de perguntas de check-up e depois de eu vestir a bela da bata, encaminhou-nos para a sala de preparação.

Começou logo mal, quando perguntaram se a enfermeira que me preparou me tinha dado algum paracetamol (imagino que seria para aliviar um pouco a introdução dos cateters e anestesias...) e eu disse que não. Porreiro... se já estava nervosa, fiquei pior... A situação piorou um pouco mais quando me puseram o cateter... as minhas veias são muito finas, e apesar de eu ter tentado explicar isto, a senhora enfermeira "andou por lá à procura" da veia, e eu fiquei logo em stress...

O Bruno vestiu um belo "fato de macaco" azul e lá nos encaminharam para a sala de operações... Sentia o meu coração bater cada vez mais forte, cada vez mais ansiosa, cada vez mais nervosa... Veio a anestesista (com quem eu já tinha tido uma consulta prévia) e o caso começou a ficar mais complicado... Para além de ter a barriga muito grande, tinha muitas dores e não conseguia arcar as costas para levar a anestesia. Um enfermeiro segurou-me nas costas e nos ombros, e lá levei a anestesia... As dores foram horríveis,.. sentia as pernas ferver e quase a explodir...

O culminar disto tudo foi eu continuar sentir e conseguir mexer as pernas... Entrei um pânico e depois disto lembro-me de pouco, muito pouco...

Lembro-me de chorar com medo de morrer... com medo de me esvair ali em sangue, com medo de perder a Amélia, o Sebastião e o Bruno... Naqueles curtos minutos, toda a minha vida me passou diante dos olhos... Despedi-me do Bruno e disse-lhe para tomar conta dos meninos... Sim... Tive um valente ataque de pânico... Os níveis de adrenalina subiram de tal modo que a anestesia deixou de fazer efeito. A equipa acabou por ter que me por KO, e acabei por levar uma anestesia geral...

Não vi a Amélia nascer... não a senti nem a beijei nos seus primeiros segundos de vida... Ainda me culpo, ainda não me perdoei...

Acordei duas horas depois no recobro, deram-me os parabéns e um gelado de gelo. Eu não tinha forças, não percebia exactamente o que tinha acontecido... Levaram-me para o quarto e eu vi um pequeno embrulho nos braços do pai Bruno... Ele estava feliz e com um brilhosinho nos olhos... Chorei e pedi-lhe desculpa...
"Não precisas de pedir desculpa... Estás bem?"
"Estou... e a menina?"
"Está bem. Estamos todos bem. Temos aqui a nossa Amélia connosco... Estamos bem... Estamos todos bem..."
Chorei quando lhe peguei num misto muito forte de emoções... Tinha-a finalmente nos meus braços, a minha princesa, a minha pequena Amélia. Começou logo a mamar, como se tivesse acabado de nascer... E ali ficamos os três num momento só nosso, como se o mundo a nossa volta tivesse parado.

Depois o pai foi buscar o mano mais velho... E foi tão bonito, tão genuíno este amor de irmãos que nasceu logo ali. Achava difícil amar tanto alguém como o meu pequeno Sebastião. Uma grávida nem diz isto em voz alta com medo de represálias ou de julgamentos, mas pensa, eu sei todas as mães pensam. Será que te vou amar tanto como o teu irmão? E depois eles nascem e aí todos os medos se evaporam... É mesmo verdade... o amor não se divide... multiplica-se...

A nossa vida mudou naquele dia 8 de Junho de 2016. Estamos cansados, com sono, sem qualquer tipo de energia! Ela chora, e ele chora por afinidade de irmão, ela dorme e ele acorda-a com o excesso de mimos e beijos... Já tivemos 1 ou 2 momentos (talvez mais...) de crise existencial... Será que demos um passo maior do que a perna? Mas estamos todos tão mais felizes, tão mais completos, tão mais cheios de amor com a chegada da nossa princesa Amélia 💕💕💕
Já passou 1 mês...

1 mês com poucas horas sono, muito cansaço, algumas birras do irmão mais velho, muitas fraldas e muita maminha (e que conquista esta minha, que orgulho)... e muito, muito amor... Fazes parte de nós como se aqui estivesses estado sempre aqui connosco, minha princesa!
Somos quatro à um mês e somos infinitamente mais felizes, 
mais completos e com muito mais amor...
Bem vinda, minha pequena Amélia ❣❣❣

1 comentário:

Cristiano Rocha disse...

Olá, que história linda e emocionante que reflete o verdadeiro espírito de FAMÍLIA. Parabéns por esta linda bebê!