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1 de setembro de 2008

O maior sítio arqueológico do Paleolítico Superior em Portugal...

Equipa escava no maior sítio do Paleolítico Superior em Portugal. Alimentavam-se de marisco, faziam gravuras em pedra e adornos com pequenas conchas, há vinte mil anos. Hoje, arqueólogos tentam desvendar os segredos escondidos em Vale Boi, Algarve, o maior sítio arqueológico do Paleolítico Superior em Portugal.


Perdido numa zona escarpada, entre Lagos e Vila do Bispo, paredes-meias com uma pacata aldeia que não tem mais do que cinquenta habitantes, o sítio arqueológico parece passar despercebido à maioria.
Descoberto há dez anos por uma equipa integrada por Nuno Bicho, da Universidade do Algarve, o local tem sido objecto de campanhas arqueológicas desde então, que visam reconstituir o sítio tal como era há vinte mil anos.
Nessa altura, o arqueólogo, que até ao início de Agosto vai estar a coordenar uma equipa que se encontra a fazer escavações no local, não imaginava que iria dedicar a década seguinte a estudar Vale de Boi.
Com ocupações regulares entre 25 mil e 6 mil anos atrás, o sítio era composto por um abrigo rochoso, perto do qual se supõe que existisse uma lagoa de ligação ao mar, onde os animais iam beber água.
Do abrigo, num ponto mais alto, conseguia ver-se facilmente as manadas, facilitando a caça, o que, a par do acesso facilitado à água pode explicar por que o local foi sendo sucessivamente ocupado.As comunidades que ali habitavam alimentavam-se de marisco - lapa, berbigão, amêijoa e mexilhão -, uma dieta pouco frequente neste período da História e que está relacionada com a proximidade do mar, a dois quilómetros.
Contudo, caçavam também animais como o veado, cavalo, auroque (boi gigante já extinto) e cabra montês, tendo igualmente sido encontrados no local vestígios de lince, urso e lobo, que poderiam não servir de alimento.
Ao longo de dez anos foram encontrados em Vale de Boi milhares de vestígios, sobretudo material em pedra talhada, parte do qual seriam pontas de flecha, mas há uma descoberta que se destaca das demais.
Trata-se de uma placa de xisto com três gravuras de animais - que se supõe serem auroques -, que terá mais de vinte mil anos e foi descoberta praticamente intacta, sendo pouco comum em Portugal, refere Nuno Bicho.
Segundo o arqueólogo, foram também encontradas peças de adorno fabricadas com pequenas conchas e um único vestígio "verdadeiramente" humano: um dente com sete mil anos, mas a equipa sonha encontrar mais.
"Ainda vamos encontrar aqui a 'menina de Vale de Boi'", lança uma das arqueólogas que participa nas escavações, numa alusão ao "menino do Lapedo", fóssil de uma criança descoberto perto de Leiria há dez anos.
Carolina Mendonça, de 25 anos, aluna de Mestrado na Universidade do Algarve, integra o grupo de 14 investigadores que estão a fazer escavações no local e não esconde que este tipo de campanhas é das "poucas oportunidades" que os jovens arqueólogos têm para adquirir experiência.
Enquanto escava, vai dizendo que é um trabalho "cansativo", mas "gratificante" e relembra a emoção que sentiu quando, numa das campanhas de anos anteriores, participou na descoberta do do que se pensa ser o abrigo.
"Senti a terra a fugir-me debaixo dos pés e começaram a aparecer blocos de pedra junto uns aos outros", conta, sublinhando que naquele local seria supostamente onde se erguia o abrigo rochoso usado pela comunidade.
Muitos dos membros da equipa já participaram nas campanhas - que se realizam todos os Verões desde há dez anos -, mais do que uma vez e não são todos portugueses: há dois brasileiros e uma croata.
Perante a pacatez da aldeia de Vila de Boi, a equipa de arqueólogos vai continuar até ao início de Agosto a subir rumo ao local, munida das suas ferramentas de trabalho e cheia de vontade de escavar.Ao final do dia - trabalham cerca de nove horas -, regressam ao refúgio que alugaram para habitar por estes dias, com vista para Vale de Boi e onde convivem e descansam "entre família".
28 de Julho de 2008 10:18
lusa

11 de junho de 2008

Moliceiro...


Vão no longe moliceiros
De asas brancas, a voar,
Ao vento, leves, ligeiros,
Por sobre a ria a singrar.
Vão no longe moliceiros
De grandes velas a arfar.

Andam na faina do dia,
Desde a manhã ao sol-pôr.
Buscam nas águas da ria,
— O moliço, verde cor.
Andam na faina do dia,
Colorido, encantador.

Vogam num lago de prata,
Circundado de cristal,
Qual sonho de serenata
Numa noite sensual!
Vogam num lago de prata
Sob o céu celestial.

Cortam as ondas de espuma
Pelas águas a boiar,
E essas vagas, uma a uma,
Vão mais longe desmaiar.
Cortam as ondas de espuma
Erguidas na preia-mar.

Parecem os bandos de aves,
Que no céu vão a subir,
E depois voltam, suaves,
Muito leves, a cair.
Parecem os bandos de aves,
A luz do sol a fugir.

Descrevem curvas serenas,
Como talhada magia,
Umas maiores, mais pequenas,
Duma estranha bizarria.
Descrevem curvas serenas
Nas transparências da ria.

As proas são rendilhadas
por coloridas pinturas,
Com frases adequadas
As populares formosuras.
As proas são rendilhadas,
São ornadas de figuras.

Vão no longe moliceiros,
De asas brancas a voar...
Singram na ria altaneiros,
A luz do sol, ao luar,
Vão no longe moliceiros,
— Majestoso deslizar!

Amadeu de Sousa
(In Colectânea Poética)

29 de maio de 2008

Everest, o monte mais alto...

Everest South Summit, Nepal, 1963
Photograph by Barry C. Bishop
O monte Evereste, a montanha mais alta do Mundo com uma altitude de 8848 m, é constituído por xistos cristalinos e calcários primários. A sua altitude foi medida pela primeira vez em 1852 e o nome foi-lhe dado em honra de Sir George Everest, na época topógrafo geral da Índia.
Os Tibetanos chamam-lhe Chomolungma - Deusa Mãe do Universo - ou,
em chinês, 
Qomolangma e em nepalês Sagarmatha.
Posteriormente surgiram dúvidas acerca da primeira medição. Uma massa com aquelas dimensões produz o seu próprio campo gravitacional e a equipa de topógrafos não confiou no rigor dos seus instrumentos. Assim, fizeram seis medições e calcularam a média: exactamente 29 000 pés. Medições mais recentes, feitas por topógrafos chineses e indianos, conduziram a 8849 metros (29 032 pés), mas a medida oficial mantém-se 1 metro abaixo desta. Na realidade, as mudanças de espessura do gelo e da neve do cume alteram continuamente a altitude.
Edmund Hillary e Tenzing Norgay sobre o Sudeste Ridge prestes
a deixar o sul do Col
 estabelecer Camp IX abaixo da Cúpula Sul
do Monte Everest. Foto: Alfred Gregory, 28 de maio de 1953

Os primeiros homens a escalarem o Evereste foram o alpinista neozelandês Sir Edmund Hillary e o guia sherpa Tenzing Norgay, em 29 de Maio de 1953. Desde então, houve mais escaladas bem-sucedidas, incluindo quatro realizadas por mulheres - a primeira escalada feminina foi realizada por Junko Tabei, em 1975 - e cinco sem oxigénio auxiliar - a primeira ocorreu em 1978 e foi feita por Reinhold Messner e Peter Habeler. Em Maio de 1999, o português João Garcia atingiu o topo sem oxigénio auxiliar.

27 de maio de 2008

Le Corbusier...

Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido pelo pseudónimo de Le Corbusier, (La Chaux-de-Fonds, 6 de Outubro de 1887 — Roquebrune-Cap-Martim, 27 de Agosto de 1965) foi um arquitecto, urbanista e pintor francês de origem suíça. É considerado juntamente com Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Mies van der Rohe e Oscar Niemeyer, um dos mais importantes arquitectos do século XX. Aos 29 anos mudou-se para Paris, onde adoptou o seu pseudónimo, que foi buscar ao nome do seu avô materno. A sua figura era marcada pelos seus óculos redondos de aros escuros. Morreu por afogamento em 27 de Agosto de 1965.

Arquitectura: Seminário internacional em Lisboa vai debater legado de Le Corbusier


Arquitectos portugueses e estrangeiros participam terça e quarta-feira num seminário, em Lisboa, sobre a importância do legado de Le Corbusier para o pensamento de outros arquitectos e outros modos de produzir arquitectura.
O Seminário Internacional "Rethinking Le Corbusier" decorre até quarta-feira no Museu da Electricidade, organizado pela Ordem dos Arquitectos no âmbito da grande retrospectiva sobre o arquitecto francês de origem suíça que inaugurou dia 19 de Maio no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém (CCB).
João Rodeia, Ana Tostões, Beatriz Colomina, Stanislaus von Moos, e William Curtis serão alguns dos conferencistas portugueses e estrangeiros presentes neste seminário, que recordará o artista como um dos que marcou de forma indelével o século XX.
"Através dos seus escritos, dos seus edifícios, dos seus planos, da sua pintura, assume papel fundamental na história da modernidade. A sua obra de carácter inovador, questiona princípios e modelos de pensar arquitectura, participando numa vanguarda que teve grande repercussão e deixou um enorme legado para a história e crítica da arquitectura", refere José Manuel Rodrigues, da OA, numa nota sobre o encontro.
O objectivo da OA é, à luz da contemporaneidade, "voltar a falar da sua obra e do seu legado, questionando um princípio que, para quem se interessa verdadeiramente pelas questões da arquitectura, é fundamental para a sedimentação da prática do ofício: a recta do tempo e o olhar crítico perante a história".
A entidade propõe-se ainda debater e dar a conhecer o legado da obra de Le Corbusier na arquitectura portuguesa, tendo para tal estruturado dois módulos de debate sobre o tema, e um conjunto de visitas guiadas a algumas obras emblemáticas dessa influência, em Lisboa.
A vasta obra de Le Corbusier abrange um período de 60 anos, desde os seus primeiros trabalhos na sua cidade natal suíça, La Chaux-de-Fonds, passando pelos edifícios cúbicos da década de 20, nomeadamente a icónica Villa Savoye (1928-31), culminando com as suas últimas obras, das décadas de 50 e 60, das quais a Capela de Ronchamp (1950-55) e os edifícios da cidade indiana de Chandigarh (1952-1964) são exemplos.

Quanto à exposição no Museu Colecção Berardo, intitulada"Le Corbusier, Arte da Arquitectura", contém maquetas, pinturas, esculturas, desenhos e edições originais do arquitecto, urbanista, pintor, designer e coleccionador francês de origem suíça conhecido pelo pseudónimo Le Corbusier. A mostra, criada pelo Vitra Design Museum (Alemanha) em colaboração com o Royal Institute of British Architects (RIBA) e o Netherlands Architecture Institute (Holanda), estará no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, até 17 de Agosto, partindo depois para Liverpool, Capital Europeia da Cultura, encerrando, posteriormente, em Londres.
Dividida em três módulos independentes - "Contextos", "Privacidade e Publicidade" e "Arte Construída" -, a mostra foca igualmente os grandes temas do trabalho do arquitecto, nomeadamente, o seu interesse pelo Mediterrâneo e pelo Oriente, as formas orgânicas, na década de 30, bem como a utilização e exploração de novas tecnologias e dos media.

In: 26.05.2008 - 17h36 Lusa

22 de abril de 2008

Dia da Terra...

Hoje, dia 22 de Abril é comemorado:
- o Dia da Mundial da Terra


- em Portugal o dia Dia Nacional do Património Geológico


- e no Brasil o Dia do "Descobrimento" - Descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 22 de Abril de 1500


Pedro Álvares Cabral (Belmonte, 1467 ou 1468 — Santarém, 1520 ou 1526) foi um fidalgo e navegador português, comandante da segunda viagem marítima da Europa à Índia, viagem em que se descobriu o Brasil, a 22 de Abril de 1500.

A Armada de 1500
Nau de Pedro Álvares Cabral no Livro das Armadas (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa).

Em 1499, foi nomeado pelo soberano como capitão-mor da armada que se dirigiria à Índia após o retorno de Vasco da Gama. Teria então cerca de trinta e três anos de idade. A missão de Cabral era a de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim, reerguendo a imagem de Portugal após a apresentação do Gama, e instalando um entreposto comercial ou feitoria retornando com o máximo de mercadorias.
A sua foi a mais bem equipada armada do século XV, integrada por dez naus e três caravelas, transportando de 1.200 a 1.500 homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Era integrada por navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, tendo partido de Lisboa a 9 de Março de 1500, após missa solene na ermida do Restelo, à qual compareceu o Rei e toda a Corte.

O Descobrimento do Brasil

Litografia de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil em 1500, em rótulo de cigarros do Brasil.

A 22 de Abril, após quarenta e três dias de viagem, tendo-se afastado da costa africana, avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. No dia seguinte, houve o contacto inicial com os indígenas. A 24 de Abril, seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo, fundeando na actual baía de Santa Cruz Cabrália, nos arredores de Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de Maio.
Cabral tomou posse, em nome da Coroa portuguesa, da nova terra, a qual denominou de "Ilha de Vera Cruz", e enviou uma das embarcações menores com a notícia, inclusive a Carta de Pêro Vaz de Caminha, de volta ao reino.


"Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e
quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam
bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas,
não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e
a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural.
Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos
pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não
havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas;
assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a
fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois
dedos. Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no
logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um
carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo
dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados.
Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos
passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa,
logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca;
não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada,
provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e
lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que
lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as
e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas
e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo"
.