Translate...

5 de novembro de 2007

Vale do Côa, Um lugar Mágico...

Entre rochas que parecem invioladas há cerca de 30.000 anos, foi descoberto, no vale do Côa, o primeiro santuário ao ar livre de artistas do Paleolítico. Acompanhando parte do trajecto deste rio que corre de Sul para Norte, detectaram-se centenas de painéis que indiciam o nascimento das... Belas-Artes no território português. Encasulada neste vale, ficou a chama criadora de gerações de artistas geniais (in National Geographic).

Em 1994 um grupo de arqueólogos portugueses anunciou alto e bom som que no vale do Rio Côa havia ‘um tesouro’ único no mundo, gravuras feitas por homens que ali tinham vivido há cerca de 20 mil anos! O assunto saltou fronteiras devido à idade atribuída àquelas obras de arte.

Se lhes dessem cem anos, mil anos ou cinco mil anos, ninguém ligaria grande importância porque dessas épocas há vestígios com fartura em toda a parte. Mas vinte mil anos era absolutamente extraordinário! Se de facto as gravuras tivessem sido feitas nesse período recuado a que se dá o nome científico de Paleolítico Superior, isso obrigava a rever o que já se concluíra a respeito da vida dos homens primitivos. Até então pensava-se, por exemplo, que os homens de há 20 mil anos pintavam e gravavam figuras sobretudo nas paredes ou tectos das cavernas. A descoberta das gravuras de Foz Côa prova que afinal os artistas do Paleolítico Superior também exprimiam os seus impulsos criadores à luz do sol.
Não admira portanto que os arqueólogos se entusiasmassem imenso com a descoberta, já que dedicam a vida a tentar reconstituir e compreender outras épocas da História da Humanidade. Como sempre que se trata da Pré-História têm que tirar conclusões a partir de fragmentos ínfimos e vestígios ténues da presença humana, uma estação arqueológica enorme como a de Foz Côa oferecia-lhe de facto um verdadeiro tesouro, uma fonte inesgotável de informações que logo à partida tornava o homem do Paleolítico mais próximo.
1ª Visita - Penascosa
Numa zona de vale mais aberto o rio Côa forma uma praia relativamente extensa, cujas areias poderão estar a tapar mais rochas gravadas para além das que já são conhecidas. As escavações realizadas revelaram a ausência de níveis arqueológicos que comprovassem tais ocupações, os quais devem ter sido erodidos no início do Holocénico (o período geológico em que vivemos actualmente). Os depósitos fluviais actualmente observáveis no fundo do vale são relativamente recentes, a sua parte superior tendo sido acumulada apenas no decurso do último milénio.
Boa parte dos suportes das gravuras parece estar num estado adiantado de fragmentação. Surgem representações de cavalos, cabras, a associação cavalo-auroque bem como alguns signos e peixes. Particularmente interessante é o facto de serem comuns as representações em que o artista procurou transmitir a ideia de movimento, como demonstra uma possível cena de acasalamento em que uma égua é coberta por um cavalo cujas três cabeças procuram, tal como se faz na moderna banda desenhada, transmitir a ideia de um movimento descendente do pescoço.
2ª Visita - Canada do Inferno
A Canada do Inferno fica num troço em que o rio Côa percorre um vale profundo, com um encaixe de cerca de 130 metros . Era nesta zona do vale que estava em construção a barragem de Foz Côa. Foram já inventariadas várias dezenas de rochas gravadas, a maior parte das quais está submersa a pouca profundidade desde 1983, em consequência da construção da barragem do Pocinho, cuja albufeira penetra pelo vale do Côa acima até cerca de 6 km a montante da confluência com o Douro.
Entre as gravuras que datam do Paleolítico os motivos predominantes são as representações de auroques, cabras, cavalos e vários peixes gravados. Uma interessante componente deste núcleo são as gravuras de idade moderna ou contemporânea, cuja cronologia pode ser determinada em virtude de a respectiva data de execução (e, por vezes, o próprio nome do artista) também ter sido gravada. Entre o século XVII e o século XIX representaram-se sobretudo temas religiosos vários: cruzeiros, relicários, custódias. Em meados do século XX preferiu-se o registo de motivos seculares ou de cenas do quotidiano, como o sol e a lua, castelos, ou o comboio atravessando a ponte ferroviária da foz do Côa.

3ª Visita - Ribeira de Piscos
A foz da ribeira de Piscos marca a transição entre as encostas suaves por entre as quais o Côa flui desde a Quinta da Barca e o vale profundamente encaixado que percorre até à confluência com o Douro.

As figuras aqui encontradas contam-se entre as mais conhecidas gravuras do Côa, nomeadamente o tão conhecido "Homem de Piscos". No fundo do vale, junto à ribeira, está o painel da cena que representa dois cavalos de cabeça enlaçada; numa rocha ao lado está uma figura humana sobreposta a um auroque desenhado em gravado estriado (contorno gravado por incisão fina, cabeça e corpo preenchidos com numerosos traços de técnica idêntica). A cota mais elevada encontra-se ainda outro painel de gravuras filiformes representando quatro cavalos de cronologia paleolítica representados com grande realismo, num estilo que evoca a arte do final do Paleolítico superior.



Fomos lindamente recebidos pelos guias, Helena e Pedro, do PAVC - Parque Arqueológico do Vale do Coa. Estando sol ou chuva, mais ou menos cansados, fazem-nos conhecer um pouco da história da história destas gravuras, respondendo sempre às questões levantadas pelos visitantes (muitas das vezes numa outra língua que não a nossa), tornando a visita incansantemente interessante e por vezes mágica.

V Encontro de Arqueologia do Algarve...


Decorreu nos dias 25, 26 e 27 de Outubro de 2007 o 5º Encontro de Arqueolgia do Algarve, no Auditório da Fissul - Silves, com o seguinte programa:

Dia 25 de Outubro
09.00h - Recepção dos participantes e entrega da documentação

09.30h - Sessão de Abertura
10.00h - Pausa
1º Painel - Moderador António Faustino Carvalho
10.15h - Nuno Ferreira Bicho; João Cascalheira; João Marreiros: “As intervenções arqueológicas de 2006 e 2007 no sítio Paleolítico de Vale Boi”
10.45h - Nuno Inácio, David Calado, Francisco Nocete, Catarina Oliveira, Ana Peramo, Moisés R. Bayona: “Pré-História e Megalitismo na região de Cacela. Uma proposta integrada de Investigação, Valorização e Protecção do património arqueológico”
11.15h - Mário Varela Gomes: “O alinhamento da Vilarinha. Estrutura megalítica da região de Silves”
11.45h - Mário Varela Gomes: “Padrão 9 (Vila do Bispo). Um monumento singular do Barlavento Algarvio”
12.15h - João Luís Cardoso; Alexandra Gradim: “Sepultura Cistóide em Cabeço da Vaca II (Alcoutim)”
12.45h - Ana Margarida Arruda; Jaquelina Covaneiro; Sandra Cavaco: “A Necrópole da Idade do Ferro do Convento da Graça, Tavira”
13.15h - Debate
13.30h - Almoço
2º Painel - Moderador José d’Encarnação
15.00h - Ana Margarida Arruda; Elisa de Sousa; Patrícia Bargão; Pedro Lourenço: “Monte Molião (Lagos): resultados de duas campanhas de escavação”
15.30h - Patrícia Bargão: “Intervenção de emergência na Rua do Moleão, Lagos. Resultados Preliminares”
16.00h - Rui Barbosa; Nuno Ferreira; Pedro Aldana: “Centro Histórico de Lagos: da ocupação romana à contemporaneidade: Resultados preliminares da intervenção no edifício da Rua 25 de Abril, n. 57-71″
16.30h - João Pedro Bernardes: “O Centro Oleiro do Martinhal”
17.00h - Maria de Jesus Kremer: “A villa romana da Abicada: arquitectura e mosaicos”
17.30h - Dennis Graen: “The site of Quinta de Marim (Olhão): results and perspectives of investigation”
18.00h - Miguel Dias: “Ocupação Romana de Faro - Intervenção na Rua Serpa Pinto 37-41″
18.30h - Pausa
18.45h - Conferência: “Problemáticas e perspectivas de estudo sobre as cidades islâmicas e os exemplos do Algarve” - Helena Catarino
19.45h - Debate
20.30h - Jantar oferecido pela Câmara Municipal de Silves


Dia 26 de Outubro
3º Painel - Moderador Helena Catarino

09.00h - Ana Vieira; Cristina Chanoca; Ana Casimiro: “Silves Polis 2004-2006: Alguns dados para a história da cidade”
09.30h - José Costa; Paula Barreira Abranches: “Urbanismo do arrabalde de Silves na véspera da reconquista cristã”
10.00h - Isabel Luzia: “A primeira campanha de escavação da “Casa das Bicas” - Loulé”
10.30h - Marta Moreno-Garcia; Carlos Manuel Pimenta: “Um retrato faunístico dos vertebrados de Alcaria de Arge (Portimão)”
11.00h - Pausa
4º Painel - Moderador Manuela Martins
11.15h - Mónica Corga; Maria João Neves; Maria Teresa Ferreira; Filipe Gonçalves: “Dinâmica peri-urbana de Faro, a partir de uma intervenção arqueológica na Santa Casa da Misericórdia”
11.45h - Helena Catarino; Isabel Inácio: “A ocupação tardo-medieval e moderna no castelo de Paderne”
12.15 - Nuno Silveira; Rui Fragoso: “Lagos: a igreja, a muralha e a cidade”
12.45h - Raquel Santos; Tiago Fontes:” Intervenção Arqueológica na Rua do Jardim, nº21. Centro Histórico de Lagos”
13.15h - Debate
13.30h - Almoço
15.00h - Visita de Estudo
Necrópole do Vale da Telha - Aljezur
Ribat da Arrifana - Aljezur
Castelo Belinho - Portimão
Museu Municipal de Portimão


Dia 27 de Outubro
Mesa Redonda - “Formação e Ensino em Arqueologia”

10.00h - Intervenção do Moderador Carlos Fabião - Faculdade de Letras de Lisboa
10.30h - Debate com a participação de:
João Pedro Cunha Ribeiro - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico
José Macário Correia - Associação de Municípios do Algarve
Nuno Bicho - Universidade do Algarve
Leonor Rocha - Associação Profissional de Arqueólogos
Virgílio Lopes - Escola Profissional de Arqueologia de Mértola
João Nuno Marques - Empresa de Arqueologia PALIMPSESTO
12.45h - Debate com todos os participantes
13.15h - Almoço
5º Painel - Moderador João Luís Cardoso
15.00h - Ana Margarida Arruda; Carlos Samuel Pereira: “As ocupações antigas e modernas do Forte de São Sebastião, Castro Marim”
15.30h - Jean-Yves Blot; Hélder Tareco; Fernando Almeida; Maria Luísa Pinheiro Blot; Paulo Oliveira; Mário-Jorge Almeida; Mari Salminen; Gui Garcia; Miguel Aleluia: “O projecto Carrapateira (CNANS/IPA, 2000-2007): do espectro de dispersão arqueológica de um sitio de naufrágio ao contexto geomorfológico e geofísico”
16.00h - Cláudia Santos; Carla Silva Barbosa; Sílvia Ramos: “Contributo da Antropologia Biológica para a História de Silves: resultados das intervenções arqueológicas durante o Programa Polis (2004-2006)”
16.30h - Nuno Ferreira; Márcia Diogo; Catarina Costa; Fernando Faria; Teresa Matos Fernandes: “Um enterramento, um edifício, um mapa, as fontes… uma gafaria em Lagos?”
17.00h - Debate
17.15h - Pausa
17.30h - Conferência: “Dos Ossos às Populações: trabalhos de Antropologia no Algarve” - Maria Teresa Ferreira
18.30h - Debate
18.45h - Lançamento da Revista Xelb 7 - Percursos de Estácio da Veiga - Actas do 4º Encontro de Arqueologia do Algarve
19.00h - Encerramento do Encontro



E assim lá passou o V Encontro de Arqueologia do Algarve, onde mais que um encontro é uma reencontro de amigos... A todos eles o meu muito obrigada!

14 de agosto de 2007

Os ovos moles...

No Domingo fui à feira de artesanato de Aveiro, FARAV - Feira de Artesanato da Região de Aveiro. Esta feira, ocorre todos os anos no mês de Agosto e constitui, na actualidade uma das maiores e melhores iniciativas culturais do género.

Passei por uma barraquina de ovos moles e não resisti! afinal uma vez não são vezes...

Os Ovos Moles de Aveiro são um doce característico de Aveiro, confeccionado somente com gema de ovo, açúcar e água, segundo
uma receita que tem sido mantida ao longo de várias gerações.

Os Ovos Moles de Aveiro são originários dos concelhos limítrofes e zonas lagunares adjacentes à Ria da Aveiro (Ovar, Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Aveiro, Ílhavo, Águeda, Vagos e Mira).
Enfim... mais uma maravilha gastronómica do concelho de Aveiro.

20 de maio de 2007

São Miguel II ...

Dia 6 (Sexta):
Neste terceiro dia em S. Miguel aproveitamos para conhecer melhor a cidade, o principal centro populacional desta ilha açoriana. A monumentalidade dos seus edifícios mais antigos e o seu valor arquitectónico é fantástico, sendo eles hoje na sua maioria, redutos da vida política, administrativa, religiosa e cultural, não só micaelense, como também açoriana.
Começando pelas Portas da Cidade, verdadeiro ex-libris de Ponta Delgada com os seus três imponentes arcos construídos no séc. XVIII, convidando a um passeio cultural pela cidade, talvez mereçam especial destaque, pela sua importância e valor histórico: as três imponentes Igrejas paroquiais das três freguesias da cidade, a da Matriz de São Sebastião, a de São Pedro e a de São José; a Igreja São Pedro; o Convento e Capela de Nossa Senhora da Esperança; a Igreja do colégio; o Forte de São Brás; a Igreja de Santo Cristo; a Igreja de Nossa Senhora da Conceição; o Palácio de Sant’Ana; o Convento de Santo André... Além destes, outros há que, não possuindo a grandiosidade dos mencionados, apresentam no entanto curiosos exemplos de arquitectura urbana do séc. XVII ao XIX que completam o panorama arquitectónico de Ponta Delgada, merecendo por isso um pouco da nossa atenção.

Seguimos para Fãja de Baixo, onde visitamos uma plantação de ananás, um fruto que no século XIX surgiu como mais uma alternativa à praga que matou os laranjais, que permitiam que a ilha exportasse citrinos para Inglaterra e Norte da Europa. Hoje os Açores estão associados ao ananás, e, nas plantações, os produtores vendem directamente os seus produtos.
Demos um pulinho a Vila Franca do Campo. A subida à Ermida da Senhora da Paz, autêntico Santuário Mariano construído no cimo do monte proporciona uma excelente vista panorâmica sobre a vila, tendo por cenário de fundo o Ilhéu. O Ilhéu da Vila, Reserva Natural que dista cerca de 1 Km da costa e para o qual existe, diariamente e sobretudo no Verão, uma carreira de transporte regular de passageiros.




Dia 7 (Sábado):

Reservamos este "ultimo" para dar um saltinho à vila das Furnas, um paradisíaco Vale que constitui um dos principais cartazes turísticos, não só de São Miguel, mas também dos Açores. Depois de um belo repasto com o famoso Cozido das Furnas - que por cima estava delicioso - passeamos pela Lagoa das Furnas, envolta por bonitas e floridas margens que proporcionam momentos de repouso e de lazer de verdadeira tranquilidade e romantismo, onde a Zona das Caldeiras constitui uma autêntica “cozinha natural” ao permitir que, enterrando no solo panelas com os necessários condimentos devidamente vedadas e protegidas por sacas, se obtenham saborosos cozidos.
Seguimos para as Caldeiras, zona de manifestações de vulcanismo activo, onde de várias bocas brotam géiseres de água fervente e lamas medicinais e onde existe uma série de bicas vertendo águas minerais de diversos sabores e temperatura, o que faz das Furnas uma das mais ricas regiões hidrológicas da Europa.
Por fim seguimos para o extremo ocidental da ilha de S. Miguel, numa segunda tentativa de ver o esmeraldo anil duma lagoa lembra lendas inúmeras de Sete Bispos e Sete Cidades consumidas pelo fogo de Sete Vulcões.
Subindo da Várzea para o interior da ilha, em direcção à cumeada e desta descendo ao fundo da enorme caldeira que se nos depara, a pitoresca e atraente freguesia das Sete Cidades com as suas duas magníficas Lagoas, a Verde e a Azul, é razão forte para mais um inebriante momento de estreito contacto com a Natureza e com o de belo que ela nos pode dar.

Dia 8 (Domingo):
A manhã foi de despedida, de arrumar malas, de levar os últimos cheiros e sabores da nossa Atlântica. Almoçamos no centro de Ponta Delgada, no Restaurante Mercado do Peixe, um marco gastronómico na cidade...
Açores até um dia...

Terceira...

A Ilha Terceira está situada a 27º 10' W e 37º 43' N e conjuntamente com as ilhas de Graciosa, São Jorge, Pico e Faial formam o grupo Central do Arquipélago dos Açores. O seu povoamento iniciou-se em 1450. O seu nome vem do facto de ter sido a terceira ilha do arquipélago a ser descoberta, embora no início, fosse chamada de Ilha de Jesus Cristo.




Dia 4 (Quarta):

Chegámos à Base das Lajes num dia de Sol. A aterragem foi perfeita e do céu vislumbrámos uma enorme manta de "farrapos" em tons de verde... Seguimos dali para a Praia da Vitória para assegurar a dormida. Ficámos alojados no acolhedor Hotel Residencial Terezinha, www.hotelteresinha.net, situado a 500 metros da praia e da marina. Percorremos a pacata vila acabando por almoçar num fantástico restaurante italiano - La Barca - o melhor onde eu já comi entre ilhas e continente...


Depois fomos vestirmo-nos a rigor, a tarde era de festa com o casamento da Joana e do Pedro, umas das razões da nossa visitinha às ilhas açorianas. Até lá aproveitamos para ir vislumbrando a paisagem da ilha até ao local do casamento, Porto Martins. Foi lindo, ela estava lindo, ela a rigor, com limusine, rosas, bolo, festa... enfim... lindo! Já estou cheia de saudades da minha mana dos Açores.



Dia 5 (Quinta):
Acordamos cedinho e rumamos a umas das mais lindas cidades património mundial da UNESCO, Angra. A associação de Angra aos descobrimentos marítimos dos sécs. XV e XVI através do seu porto, que foi escala obrigatória das frotas de África e das Índias, e de ser um exemplo da criação de uma cidade ligada à função marítima, levou a UNESCO a inscrever, a 7 de Dezembro 1983, Angra do Heroísmo na lista do Património Mundial.

Angra foi a primeira cidade fundada no arquipélago, revelando-se desde cedo como o grande porto dos Açores. A importância estratégica da cidade para as rotas atlânticas ficou simbolicamente comprovada pela paragem da frota de Vasco da Gama em 1499 na primeira viagem de regresso da Índia e pela posterior fundação da Provedoria das Armadas, sediada em Angra e que tinha como função proteger as frotas da Carreira da Índia. O facto da malha da cidade ainda hoje mostrar claramente a sua história urbana deve-se ao decrescer da importância de Angra no contexto do espaço do arquipélago e consequentemente a uma certa estagnação económica, iniciada essencialmente a partir do século XIX. Com um porto pequeno para o novo comércio, a velha baía perdeu o título de grande porto dos Açores para as docas de Ponta Delgada e da Horta, apetrechadas com modernos portos artificiais. Mais recentemente a construção do porto comercial na Praia da Vitória libertou definitivamente a baía de Angra para fins turísticos e de lazer.

Depois de uma breve pausa para o almoço, seguimos para o interior, sem nunca deixar de ver o mar... Visitamos o Algar do Carvão, com cerca de 100 metros de profundidade, é formado por grutas, onde existem, maravilhosas estalactites e estalagmites, que eu com as minhas manias de claustrofobia não quis ver... enfim... manias... Ficou a paisagem! Seguimos para as Furnas do Enxofre, uma zona de fortes manifestações vulcânicas, estando classificadas como monumento natural regional desde 2004.

De novo em direcção ao mar, chegámos à vila de Biscoitos, uma zona de vinhos, divididas em "curraletos". Visitámos o "grande" mas interessante Museu do Vinho, fundado pela Casa Agrícola Brum, que reúne um conjunto de instrumentos, fotografias e outros documentos, relativos à produção do vinho.

A visita à bela Terceira estava a chegar ao fim... já noite chegámos novamente a S. Miguel...